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� preciso saber viver

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| José Medeiros * Corre na Internet um texto em que a autora mostra as diferenças existentes entre o que considera uma pessoa idosa e uma pessoa velha. Não são a mesma coisa? A geriatra paulista Thereza Freire Vieira tem um ponto de vista diferente. O idoso é o indivíduo que envelhece com tranqüilidade e gosta de viver. O velho é o retrato da antiga concepção de que na velhice nada mais resta, a não ser uma cadeira de balanço na varanda e o conformismo com o reumatismo crônico e as crises de hipertensão arterial. Vejamos como a escritora, em seu livro Os problemas dos anciãos, define as duas situações: ?O idoso se renova a cada dia que começa, o velho se acaba a cada dia que termina. Enquanto o idoso tem seus olhos postos no horizonte de onde desponta o sol que ilumina a esperança, o velho tem sua miopia voltada para as sombras do passado. O idoso tem planos, viaja e busca o prazer de viver; o velho tem saudades, revive a cada dia a escuridão das lembranças de sofrimentos passados?. A escritora continua: ?O idoso curte o que lhe resta da vida, o velho sofre e cultiva o desespero da aproximação da morte. O idoso leva uma vida ativa, cheia de projetos; para o velho, as horas se arrastam destituídas de sentido?. O leitor pode achar exagerada a opinião da autora, mas o texto suscita uma série de observações sobre a chamada ?terceira idade?, constituídas de pessoas de mais de 60 anos que buscam viver em toda a plenitude. Caminham, viajam, divertem-se, procuram isolar a solidão e manter um bom astral. No início do século passado, a média de vida era de 40 anos; neste início de século, vai chegar a 80 anos. Atualmente, costuma-se dizer que a vida começa aos 40 anos. É a maturidade, provavelmente, chegando com tudo que se tem direito. Entretanto, vale a pena lembrar àqueles que chegam aos 40 anos, que com mais 20 ?primaveras?, terão 60 anos, acrescentando a essa idade mais 15 e terão 75 anos. Dos cuidados com a saúde nesse período da maturidade, dependerá o tempo de vida útil futura. Assim podemos dizer que cuidar da saúde como um bem precioso é uma boa norma em qualquer idade. Ainda é possível afirmar que o tempo é implacável e não há como detê-lo. A cada dia ficamos mais velhos. Hoje, mais velhos que ontem, amanhã, mais velhos que hoje. É um verdadeiro trágico destino biológico. Mas como diz uma canção popular: ?é preciso saber viver?. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.

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