loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O MST � o que basta

Ouvir
Compartilhar

| WALMAR BUARQUE * As pessoas são persuadidas mais pela profundidade da convicção do que pela intensidade da sua lógica. Mais pelo seu próprio entusiasmo do que por qualquer prova que possa oferecer. Vou descrever o que penso da persuasão: é converter as pessoas não à nossa maneira de pensar, mas à nossa maneira de sentir e crer. É essa minha convicção, com relação ao MST. Nesses últimos anos tenho mantido um relacionamento superficial com o MST, mas que me mostrou o que disse Will Rogers: ?Conheça o que faz, ame o que faz? e foi mais além ?acredite no que faz?. Quando procurei o movimento para abrigar três famílias que procuravam abrigo no Catarse, não tive dúvida de convencê-los, persuadi-los e com alguma convicção convenci a todos que seria a melhor opção. Os adultos tinham experiências com trabalho na lavoura, as crianças precisavam de assistência médica e de educação, pensei eu: onde provê-los de alguma ajuda, senão no MST? Outra experiência numa outra oportunidade não com mais três famílias, mas apenas uma que nas mesmas condições me procurou no Catarse pedindo a mesma ajuda. Dessa vez sem refletir ou até mesmo questionar as razões me pus à disposição e com ajuda dos amigos e voluntários conseguimos uma casa com toda estrutura de viver ou sobreviver por algum tempo até que tivessem condições de sobreviver com seu trabalho. O tempo foi passando e nada de aparecer emprego. Falta de experiência, escolaridade, recursos para sua locomoção para buscar sua chance, falta de referência, de vez por outra um trabalho escravo, insalubre, mal remunerado e finalmente a desestruturação moral e ética do homem e da família, na rua alcoolizado manipulando as crianças e fazendo-as pedir esmolas, explorando sexualmente sua mulher nos prostíbulos. O desespero tomou conta de todos e cada um foi para seu lado abandonando a casa que já não tinha mais nada do que tinha sido doado como fogão, geladeira, TV, camas, colchões, enfim, tudo foi vendido ou roubado. O marido foi assassinado, a mãe alcoólatra e prostituída não sabia mais dos filhos, e eles hoje encontram-se separados uns dos outros, não se sabe se alguém morreu, sabe-se que dois estão desaparecidos. De quem é a culpa do acontecido com essa família? Nossa? Em acreditar que poderíamos ajudá-los doando cestas básicas, casa e equipamentos? Da sociedade urbana, discriminadora, exploradora, falsa e abusada no descaso e omissa na sua missão de unida lutar por direitos de todos e não só pensar no seu? (*) É presidente do Projeto Catarse.

Relacionadas