Opinião
O ovo da serpente
| Eduardo Bomfim * A intensa crise brasileira atual, de caráter multilateral, possui em seu âmago, a luta pelo poder. O que jamais explicaria tamanho efeito desagregador. As denúncias de corrupção comprovadas, a serem apuradas ou mesmo, algumas, refutadas, que devem ser esclarecidas rigorosamente ao País, são de origem estrutural, histórica, e, às vezes, possuem traços de uma epidemia, na trajetória política do Brasil. Nos últimos anos, não existiu uma situação política de tal envergadura. Com exceção do confronto que levou ao suicídio Getúlio Vargas, adiando por dez anos um golpe de Estado. Do governo de João Goulart e suas reformas de base, provocando grande pavor no segmento retrógrado das elites da época, e cujo capítulo final foi a sua deposição e quarenta anos de arbítrio. Elites essas que receberam maciço financiamento estrangeiro, com o intuito de formar uma maioria conservadora no Congresso Nacional, uma espécie de mensalão a dólar, conspirativo e de alta traição à pátria, conforme o maçudo livro, detalhado em provas e documentos 1964: A conquista do Poder, do cientista político René Armand Dreifuss, uruguaio, doutor pela Universidade de Glasgow, Grã-Bretanha. Outro problema de origem crônica, pertinente ao contexto destes mais de cem dias de sistemática cobertura da grande imprensa nacional, alguns porta-vozes da geopolítica de certas nações, trata-se da reforma política e as regras do processo eleitoral. Todas as pessoas minimamente informadas e o povão em geral sabem muito bem que as eleições em grande parte do País, não apenas no Nordeste, acontecem através da compra do voto pelos mais variados e inventivos mecanismos. É o clientelismo antigo e o pós-moderno que se misturam. O Congresso Nacional representa os interesses de uma minoria associada às grandes corporações econômicas do País e ao capital estrangeiro. Aqueles deputados e senadores comprometidos com a classe média, os trabalhadores, pequenos, médios, e certos empresários de maior porte, são uma flagrante minoria. Esta situação que sangra a nação, segundo Chico Buarque de Holanda, expõe os intestinos desta realidade incontestável. O PT pagou um preço alto em seu exclusivismo ético, desconhecendo a luta central entre os que desejam um Brasil soberano e socialmente justo, e aqueles que preferem que tudo permaneça como está. A frase preconceituosa, do senador Bornhausen: ?Estou encantado porque vamos nos ver livre desta raça por trinta anos?, manchete em vários jornais do País. (*) É advogado e secretário de Cultura do Estado de Alagoas.