Opinião
Justo clamor - Editorial
Insistimos em bater numa mesma tecla: a insegurança pública em Alagoas supera os limites. É intolerável a seqüência de crimes, a escalada de ousadia dos bandidos. A sociedade está cada dia mais fragilizada e a cada nova ocorrência, o cenário de tragédia aproxima pacatas e pequenas cidades das grandes metrópoles, em termos de sofrimento da população e de sofisticação dos bandos de malfeitores. O caso do duplo assassinato em Atalaia é um desses momentos onde o descalabro se reafirma como a norma. Nem bem esfriou o escândalo do rapto seguido de assassinato da jovem Macléia dos Santos, o mesmo município é surpreendido com um duplo assassinato praticado com requintes de crueldade. E quais as pistas, que respostas têm sido oferecidas à comunidade. Atalaia protestou. Com justas razões, a população atalaiense tem ido às ruas, tem gritado sua indignação, exprimindo sua revolta em atos de protesto que têm reunido cada vez mais gente. A população de Atalaia está certa em seu reclamo. Corretamente, a cúpula da segurança pública em Alagoas se deslocou até a cidade, numa demonstração de solidariedade. Merece um elogio por isso, mas ao mesmo tempo, merece chamamentos à responsabilidade, pois ocorrências como essas são um insulto à toda sociedade, mas antes e, além disso, representam um insulto maior à própria autoridade policial. Casos como esses, se não esclarecidos, expõem a autoridade policial à desmoralização. Casos como esse são um verdadeiro escárnio a todos que fazem a segurança pública. Certa está a população de Atalaia em protestar, em bradar o mais alto possível seu inconformismo com tal quadro dantesco. Oxalá as autoridades policiais, além de ouvir este clamor, possam lhe dar respostas à altura das expectativas da população de Atalaia e de toda a Alagoas.