Opinião
Sem energia
| Marcos Davi Melo * O mês de agosto não foi ruim só para Lula, o PT e a turma do mensalão em Brasília. Foi terrível, também, para quem trabalha sério em Maceió com grandes equipamentos de medicina que consomem muita energia elétrica, como os hospitais que usam aparelhos (os aceleradores lineares) que tratam o câncer. No mês de agosto, as alternâncias e irregularidades de corrente elétrica fizeram com que os dois aceleradores lineares da Santa Casa de Maceió quebrassem várias vezes com um prejuízo final de mais de U$ 60.000,00. A última quebra foi no último fim de semana, quando ambos aceleradores lineares se apresentaram sem funcionar na segunda-feira, interrompendo os tratamentos de mais de 160 pacientes; o que sempre causa um imenso transtorno para os médicos, principalmente, para os pacientes e famílias que estão se submetendo a tratamento. Os engenheiros das empresas multinacionais que fabricam esses equipamentos estranham essas constantes quebras, porque nos outros estados onde máquinas semelhantes funcionam elas não quebram tanto assim, e a única razão é o fornecimento precário de energia elétrica. Coincidentemente, muitos amigos que têm casas em Barra de São Miguel também informaram que no último fim de semana inúmeras bombas elétricas de piscina foram queimadas pelo mesmo fornecimento irregular de energia elétrica. Coincidentemente, a diretoria da Ceal veio a público esta semana para exaltar a qualidade dos seus serviços e para se refestelar com mais um reajuste de tarifas do setor. Infelizmente, nós médicos e os hospitais que atendem com radioterapia os pacientes com câncer do SUS estamos há onze anos sem nenhum reajuste de tabelas. Não teríamos problemas em engolir os reajustes de tarifas de energia elétrica, que têm sido concretizados regularmente todos os anos, se pelo menos a qualidade de seu produto fosse aceitável, o que não tem ocorrido, muito pelo contrário só tem piorado. A diretoria afirma que agora com mais esse reajuste vai melhorar a qualidade do seu produto. Vamos ver para crer. Sinto-me decepcionado não só pelo prejuízo da instituição que trabalho, mas principalmente pela angústia e prejuízo dos pacientes com câncer. Lastimo essa deplorável situação porque todos nós sabemos que a energia elétrica regular e de qualidade é um requisito indispensável para o desenvolvimento de um estado. Alagoas, nesse aspecto, infelizmente, apresenta-se precaríssimo, mesmo se comparado a estados vizinhos. Precisamos enfrentar essa realidade sem subterfúgios, que só protelam a solução dos problemas, mas com coragem e sincera vontade de melhorar. (*) É médico.