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Na mira - Editorial

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As armas de fogo estão na mira do governo federal. Uma pesquisa do Ministério da Saúde mostrou que, em 2004, ano em que o governo iniciou a batalha a favor do desarmamento, o número de mortes por arma de fogo diminuiu em 8,2%. Em números mais exatos: em 2003, foram registradas 39.325 vítimas fatais dessas armas, enquanto que, em 2004, o número para tragédias como essa foi reduzido para 36.091, ou seja, 3.234 mortes a menos. O que pode parecer um tímido resultado para alguns, na verdade é um fato expressivo, pois é a primeira vez, em 13 anos, que esse índice cai e porque, em pouco mais de um ano, a campanha conseguiu recolher 443 mil armas, cinco vezes e meia mais do que a meta inicial, que era de 80 mil armas. O Índice Nacional de Óbitos por Armas de Fogo deu fôlego e mais argumentos aos que defendem o desarmamento. Como se sabe, no dia 23 de outubro haverá um referendo para decidir se a comercialização de armas de fogo e munição no Brasil deve ser proibida. A questão é polêmica, divide opiniões, mas os efeitos da violência ?armada? podem ser sentidos por todos no dia a dia: as armas de fogo vêm matando mais do que acidentes de trânsito, doenças respiratórias, cardiovasculares, câncer e Aids, e essas estatísticas atingem principalmente os homens jovens na promissora faixa etária dos 10 aos 29 anos. O momento é propício para se instigar uma cultura de paz no país. Os números do desarmamento surgem como um suspiro de esperança na luta contra a violência e demonstram que uma sociedade sem armas é uma sociedade mais pacífica. É certo que o envolvimento da população com a campanha foi decisivo para a redução dos nefastos índices e que todos desejam a harmonia na vida em sociedade. Se os números não mentem, será que a solução não é desarmar o Brasil?

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