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Opinião

A compaix�o

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| Dom Fernando Iório * Você só tem compaixão quando está ao lado do outro, sem ser demasiado gentil. É interessante como quando você está bem relacionado com o seu eu, é que poderá ter a mesma generosidade com os outros. Essa relação constitui a base fundamental da prática da compaixão. Somente após ter dominado realmente quem você é, e ter percebido seu próprio poder pessoal é que você poderá usar de compaixão para com o outro. Quem tem aquele verdadeiro conhecimento do seu poder pessoal e da mística do ?Amai-vos uns aos outros?, sente-se capaz de oferecer, de apoiar, compartilhar e auxiliar, sem sentir ou pensar que lhe estão tirando algo. Na proporção em que você for tendo maior domínio sobre aquilo que você é, irá sentindo que o quanto você está oferecendo, com sua compaixão, não é outra coisa senão a energia divina que flui, através de seus atos. Nada disso pertence a você. Pertence a Deus, pertence à vida. Quando alguém consciente do bem que está fazendo, não se sente lesado ou espoliado, é sinal de que está sendo fortalecido. Evidentemente, é necessário ter força perseverante para ser compassivo. Uma pessoa, verdadeiramente, compreensiva não faz pelos outros o que estes deveriam fazer por si mesmos, visando ao crescimento. Uma pessoa compassiva não assume para si as rédeas da situação, nem se dá ao ponto da exaustão ou do esgotamento. Alguém realmente compassivo é solidário com o seu sentimento porque entra em sintonia com o outro não por obrigação ou por falso senso de responsabilidade, senão por afeto fraterno. Uma pessoa compassiva escuta e procura compreender aquilo por que o outro está passando e, em vez de somar-se ao seu sofrimento e medo, tenta descobrir o caminho da solução. Uma pessoa compassiva de maneira alguma contribui para que o outro se sinta vítima de alguém; ao contrário, fica-lhe ao lado dando apoio e vigor necessários para que o outro descubra a sua responsabilidade na situação em que vive e o quanto pode fazer para mudá-la. Quem usa da compaixão deve ter visão prospectiva de tudo quanto está acontecendo visando ao bem da pessoa. Quando você se torna compassivo, você se fortalece, você se revigora, e se sente com poder suficiente para dar o que tem, sem nada perder. Nada tão importante, como o diário noturno de avaliação: hoje achei difícil ter compaixão, quando... Hoje pude demonstrar compaixão, quando... Agora, descobri que minha capacidade de demonstrar compaixão é prejudicada, quando... (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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