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Opinião

A crueldade da natureza

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| Lysette Lyra * Às vezes a natureza se comporta como uma mãe desnaturada, cruel e injusta, trazendo a dor e a desgraça para filhos inocentes, provando seu poder aniquilador em desmesuradas ocorrências, que transformam os seres em míseros joguetes de seu humor. Bem que o homem, sobretudo, mereça um castigo por suas ambições, suas maldades, seu egoísmo, provocando sua ira e sua vingança. Mas se fossem somente os culpados que sofressem seria bem aplicado, mas não, quando ela se enfurece não há escolha, puros ou não, são vítimas da mesma punição. Há pouco tempo pobres asiáticos foram sacrificados por ondas monstruosas que devastaram cidades, muitas vidas, espalhando a miséria e a dor. Agora, vemos, com imensa tristeza, uma região quase inteira ser destroçada pela força de um furacão, num país moderno e progressista que parecia, por sua grandeza tecnológica, estar imune a tais acontecimentos. E mais admirados ficamos com a impotência e desorganização na assistência dada às vítimas. Conheci New Orleans. A cidade do Jazz. Uma das mais bonitas dos Estados Unidos. Com seu ?Quartier Latin?, onde as casas preservadas de antigos séculos, e a música alegre saída dos saxes e pistões dos negros sentimentais, nos faziam regredir às românticas eras das sinhazinhas e mucamas que povoavam as luxuosas mansões sulistas. Cidade cheia de parques que ocultavam os diques de proteção, espraiava-se entre o mar, o lago Pontchartrain e os meandros do Mississippi, o terceiro rio do mundo. Seu toque francês, mesclado ao gosto americano e ao negro, dava a New Orleans, um peculiar aspecto, que a tornava diferente de todas as outras cidades americanas. A rua Bourbon era a mais simbólica. Repleta de bares onde se ouvia, dia e noite, o ritmo quente do mais legítimo jazz. Restaurantes chiques ou populares, tinham sempre em seus cardápios a picante comida ?cajun?, de origem africana. Passear nos antigos barcos que cruzavam o rio ao som de autênticas orquestras locais, admirando a parte moderna e a mais antiga, era outro momento de prazer! E lá, na margem, estava a imensa refinaria de petróleo, cuja iluminação, à noite, competia com a beleza do luar. Cidade alegre, cujos carnavais famosos atraíam turistas de todo mundo. Isso tudo que está acontecendo no mundo, inclusive até no sul de nosso País, deve servir de alarme a todos os povos, que numa irresponsabilidade e ganância desmedidas, agem sem considerar as conseqüências de seu desrespeito ao nosso sistema ambiental. (*) É escritora.

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