Opinião
Forma��o cultural e profissional
| José Medeiros * ?Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê?. Pode parecer exagero essa frase de efeito que foi utilizada por uma famosa editora, ao longo dos anos. Aponta para a necessidade da leitura como forma de alargar horizontes, perspectivas de melhor ouvir, ver e sentir o mundo. Nos cursos de Português das escolas de 5ª à 8ª séries e nível médio, observa-se, cada vez mais, o interesse e o incentivo à leitura, interpretação e análise de textos. De geração em geração, mudam as obras aconselhadas pelos professores aos alunos, que são ajustadas à realidade da época. Um dos meus mestres de Literatura repetia que ?a palavra escrita é o corpo e a palavra falada é a alma?; entretanto, ambas são absolutamente necessárias à comunicação e à vida. E aconselhava: ?Se os pais soubessem o quanto influenciam a vida dos filhos, aproveitariam bem o tempo para incentivá-los a ler mais, sempre mais, desde a mais tenra idade. Formar leitores é uma das mais importantes estratégias de ação pedagógica. Encontro, num trabalho da professora Maria Helena Frantz, a seguinte referência: ?Quando falamos em leitor, pensamos em alguém que lê porque precisa alimentar, constantemente, seu espírito, sua imaginação, sua sensibilidade, seu intelecto, para sentir-se sintonizado com o mundo e dialogar com ele, para refletir sobre ele, mas, também, para desfrutar o prazer que a linguagem alçada à categoria de arte (arte da palavra), pode lhe proporcionar?. Sem dúvida, esse pensamento exprime a culminância de uma educação ideal. Meu tio, o Monsenhor Medeiros, em cuja companhia vivi durante minha adolescência e que sabia de meu interesse em realizar o curso de Medicina, dizia que medicina é, antes de tudo, a ciência do homem. Para ser um bom médico, seria necessário compreender a natureza humana, abeberando-se na cultura geral e nos conhecimentos humanísticos. O Brasil lê mal, dizem especialistas. As comparações com outros países mostram que não estamos bem situados nos itens avaliativos de compreensão e interpretação de textos. Nos cursos superiores, as exigências por uma formação técnica ou científica se sobrepõem às necessidades de outros conteúdos formativos. As Diretrizes Curriculares do MEC têm orientado mudanças e ajustamentos em modelos tradicionais de ensino, tendo em vista novas realidades sociais e modos de vida. Os profissionais formados, estarão em atividade nos próximos 30 a 40 anos. Isso vai exigir que processos de atualização profissional estejam acompanhados de formação cultural e lingüística. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.