Opinião
Sa�de na UTI - Editorial
Não é à toa que as palavras greve e grave se parecem. Geralmente, esse direito conferido aos trabalhadores, de paralisar suas atividades em reivindicação de algo, tem aspecto grave para a população. A mais nova greve deflagrada no Estado é a dos servidores da Ufal, e seus efeitos já podem ser sentidos pela população usuária do Hospital Universitário (HU). É necessário ressaltar que o direito desses funcionários é legítimo, assim como é o direito das pessoas que dependem diariamente dos serviços do hospital. São pessoas comuns, que trabalham, pagam impostos, e que não têm outra opção para obter assistência médica. Durante esta paralisação, a população vai ter acesso a apenas 30% dos serviços considerados essenciais no HU. E vale lembrar que, no ano passado, a greve dos servidores da Ufal durou 77 dias. Quantas pessoas deixaram de receber assistência médica nesses dias? Deve-se ter muita cautela ao se iniciar uma greve, principalmente quando se trata de saúde. A questão é delicada. Em um lado da balança estão as condições de trabalho; do outro, a vida das pessoas. Não há dúvida que o caminho a ser tomado tem de ser o de tentar encontrar uma forma que pressione o governo a ceder às reivindicações sem sacrificar os pacientes do Hospital Universitário. Esse é o desafio que os servidores do sistema público de saúde têm a obrigação de responder positivamente. Afinal de contas, se formos olhar a proporcionalidade daquela balança, iremos perceber que o lado mais pesado será o da vida. Melhores salários e reajustes são um direito, mas essa luta não pode cessar o direito ao atendimento médico de milhares de pessoas. Alguma providência deve ser tomada nesse sentido, pelos grevistas ou pelo governo, para que não pague o pato, mais uma vez, quem não tem nada a ver com a grave confusão.