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Opinião

Querem jogar fora a crian�a

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| Oliveiros Marques * A partir das denúncias de existência de caixa dois financiando candidaturas, parcela do Congresso Nacional se mobiliza em ações para disciplinar as campanhas eleitorais, focando seu discurso na coibição desta prática que, segundo depoimento de vários personagens ouvidos pela imprensa e pelas CPIs, alimenta a contabilidade dos partidos. Uma destas ações está sendo chamada, equivocadamente para nós, de reforma política. Entre as medidas aprovadas pelo Senado Federal estão a redução do período de campanha, a redução do tempo de propaganda partidária no rádio e na TV, a mudança dos formatos destas propagandas e a proibição de showmícios, de distribuição de brindes e da divulgação de pesquisas a partir de quinze dias antes das eleições. Com estas medidas, os senadores acreditam que reduzirão os custos das campanhas, inibindo o caixa dois. Este expediente já esteve presente na legislação eleitoral quando da reeleição do presidente FHC. Naquele momento, os defensores da reeleição defendiam a proibição de imagens externas nos programas, e a oposição, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores, que tinha Lula como candidato e as Caravanas da Cidadania como cabo eleitoral, era contrária. Venceu o PSDB. Duplamente. Contudo, não tivemos notícias de que os custos de campanha tenham sido reduzidos com esta medida. Pelo contrário. Cresceram os orçamentos, o custo por eleitor, as alternativas de exposição das candidaturas, a profissionalização de estruturas e pessoal, na mesma proporção que crescia o espaço dedicado na grande imprensa aos ditos ?marqueteiros?. Proibir cenas externas vai, ao contrário, encarecer as campanhas eleitorais. Montar um cenário em estúdio, sem usar a computação gráfica, demanda a contratação de cenógrafo, fotógrafo, diretor de cena, etc. A proibição de distribuição de brindes será uma mera transferência de objeto, não significando uma redução efetiva nos custos de uma campanha. O expediente de ?fidelização? do eleitor será menos visível e enfatizará as conhecidas práticas de distribuição de tijolos, sacos de cimento, cestas básicas e cobertores. Além de inócua no quesito ?desmontar o caixa dois?, a dita reforma é incompleta, pois não combate uma nova modalidade de compra de voto instalada em todas as regiões do País, o ?cabo eleitoral de última hora?. Esta prática consiste no pagamento de pessoas para ficarem, no dia das eleições, próximas às zonas eleitorais com a desculpa de estarem promovendo determinada candidatura, pessoas simples que, na sua desinformação, trocam seu voto pelo atendimento de uma necessidade, posando de eleitor engajado. (*) É sociólogo e publicitário.

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