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Chega de dribles - Editorial

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Certamente, por efeito da crise, o público que ontem acompanhou o desfile da independência, em Brasília, foi metade do registrado no ano passado, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal. Pelos cálculos da PM, estiveram presentes à Esplanada dos Ministérios, neste 7 de setembro de 2005, cerca de 30 mil pessoas, contra 60 mil registradas no ano passado. Dentre essas três dezenas de milhares de pessoas, uma parcela minoritária ? porém barulhenta ? entoou palavras de ordem de protesto contra o governo. Faixas foram exibidas, ajudando a identificar as diferentes tendências presentes na manifestação. E como já se tornou uma tradição, independentemente de crise, as mulheres de militares marcaram presença com suas panelas e faixas onde soldos mais polpudos para seus consortes eram a tônica. Os apupos dos oposicionistas, apesar dos esforços guturais de centenas de gargantas em transe, não chegaram ao presidente, nem a ministros. Conhecendo a obviedade do Sete de Setembro ser usado como dia de protestos, a organização tratou de distanciar os espaços reservados para o público e para as principais autoridades. Antes do fim da solenidade, o presidente Lula saiu de fininho. Sucesso para mais uma ?operação drible?. O problema é que não se pode driblar infinitamente uma crise como esta, que precisa ser debelada para que o País possa se voltar para os demais problemas, além dos mensalões. Uma das realizações mais importantes para este período teria sido a Reforma Política. Hoje, nem se fala mais nisso, e já se discute mais um drible: uma ?minirreforma? ? que nem se tem certeza de sua eficácia para 2006. E, infelizmente, para o País, a crise é de tamanha gravidade, que nem sair de fininho pode mais ser a aspiração dos principais protagonistas deste momento. Enfrentar ou enfrentar a crise é única opção digna.

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