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Encontro com o eterno

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| ALOÍSIO VILELA DE VASCONCELOS* No último dia 07, encontrava-me em Viçosa, sozinho, no velho casarão de meus saudosos pais, quando meu irmão Franklin telefonou informando-me da morte de minha prima Marinalva. Sei que o Todo Poderoso não nos deu outra escolha a não ser a de nascermos para morrermos. Não importa se isso significa dizer que este belo planeta chamado Terra, na realidade, não passa de um gigantesco cemitério. Também não importa o desespero, a dor, a insegurança, a falta de esperança e o sofrimento, que o desaparecimento de um familiar possa causar. O Seu desejo é o nosso destino. Isso é tudo. Assunto encerrado. Ao tomarmos conhecimento do falecimento de alguém que, por conhecermos de perto, sabemos possuir, em abundância, atributos positivos, nossa reação, é de perplexidade, inconformismo, saudade e, até mesmo, revolta. Confesso que após a ligação de todos esses sentimentos ? principalmente o último - de imediato, apossaram-se de mim perplexidade devido à rapidez com que se processou o seu encontro com o Eterno; inconformismo porque sei que a família perdeu mais um importante membro; e saudade, pois além de jamais conseguirmos preencher o imenso vazio deixado por sua partida, nunca apagaremos de nossa memória a lembrança de alguém que era diferente, que possuía qualidades que considero insubstituíveis: ao mesmo tempo que sua elegância, fidalguia e nobreza eram de causar inveja a mais alta dama da mais sofisticada corte, sua simplicidade e arte de lidar com os menos favorecidos tornaram-na uma doutora, e não uma mera repetidora, em poesia, ?peças? de guerreiro, reisado, pastoril, baianas etc. Quando cantava ou dançava, todos ficavam completamente hipnotizados com sua voz, seus gestos, suas canções e sua dança. Foi no dia 7 de Setembro, às margens do Ipiranga, que d. Pedro I proclamou a Independência do Brasil. É digno de nota que 183 anos depois, exatamente no dia 07 de setembro, Deus tenha resolvido proclamar a independência de Marinalva, que era das margens do Riacho do Meio. Independência, não de Viçosa, de Alagoas, ou do Brasil, mas da Terra. A partir de agora, ninguém mais ouvirá a beleza de sua voz, verá a meiguice de seus gestos, a originalidade de suas canções e a autenticidade de seus passos. Nossa família nesses últimos meses vem paulatinamente sendo desfalcada pela morte: em mais ou menos cento e vinte dias, foram-se três. Por maior que seja a dor, não devemos esquecer o que nos ensinou o Divino Mestre em Mt 10,38-39: ?Aquele que não toma a sua cruz e me segue não é digno de mim. (*) É produtor rural.

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