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Brasil desigual - Editorial

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O refrão da música virou clichê e pede instintivamente para ser repetido a cada vez que o Brasil mostra sua face vergonhosa em estatísticas indignantes: ?Que país é esse??. O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento sobre o Índice de Desenvolvimento Humano, em 177 países, põe o Brasil como o 8º colocado no ranking da desigualdade social. 46,6% da nossa renda nacional concentra-se na mão dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres amargam a minguada fatia de 0,7% da renda. Trocando em miúdos: no Brasil, poucos têm muito e muitos têm quase nada. Uma equilibrada distribuição de renda é indispensável para o crescimento da economia de qualquer país. É lógico: a desigualdade social não possibilita a expansão econômica! Mas a distorcida lógica capitalista faz da miséria algo lucrativo ? para poucos. É nesse sentido que a caravana tem andado, para o sacrifício da maioria em benefício da minoria. Em uma hora, cerca de 1,2 mil crianças morrem no mundo, vítimas da miséria; número que equivale a três Tsunamis por mês. Mas já se tornou comum ver essas crianças nos sinais, embaixo das pontes. Essas cenas parecem não comover mais. Governos, empresários, mercados, população, todos fecham os olhos para o quadro pintado pela desigual distribuição de renda. O brasileiro comum comemora ingenuamente cada bom desempenho do PIB nacional, torce para o sucesso das indústrias e pelo mantimento dos juros, quando, na verdade, ficará com o menor pedaço da pizza e nem sentirá os efeitos do ?avanço econômico? do Brasil. Somos o oitavo país em desigualdade social, não podemos nos esconder sob o manto do país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, do estereótipo do malandro e sob o codinome do ?país do futuro?; temos de fazer agora. Brasil, mostra a tua cara!

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