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Opinião

O monge

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| Dom José Carlos Melo, CM * Uma trágica notícia dada no dia 16 de agosto abalou a Igreja, foi assassinado na Igreja da Reconciliação, em Taizé, Fráre Aloys Roger, um santo monge de 90 anos, vítima de uma mulher de origem romena, completamente fora do equilíbrio mental. Fráre Roger, de origem suíça, cujo sobrenome era Schutz, estudou a espiritualidade de São Francisco com Max Thurian, e a vida de Taizé é modelada precisamente segundo a regra franciscana. A extraordinária Comunidade Ecumênica de Taizé foi fundada em 1940 em uma localidade situada entre Cluny e Cîteoux, na França. Com o passar dos anos, ao fundador de Taizé juntaram-se outros irmãos. O testemunho de vida de Fráre Roger permanece um luminoso ponto de referência para a história da fé de tantas pessoas, de modo especial de geração de jovens que respiravam o ?espírito de Taizé?: espírito cristão de oração e de reconciliação; de esperança e de confiança; de unidade e de paz. Foi o mesmo espírito que deu origem às Jornadas Mundiais da Juventude. Durante a segunda guerra mundial, Taizé foi lugar de refúgio para numerosas pessoas que fugiam dos horrores da guerra. Hoje, a comunidade de Taizé está presente em diversas partes do mundo, por exemplo: entre os pobres de Bangladesh, do Brasil, do Senegal e também de Nova Iorque. Tive a satisfação de conhecê-lo. A Igreja sempre reconheceu os méritos desse santo monge. Os papas sempre confirmaram estima e afeto por toda obra de Fráre Roger. Desde Pio XII, que o recebeu em audiência duas vezes. Uma relação estreitíssima estebeleceu-se também com João XXIII, que definiu Taizé uma ?pequena primavera?. Fráre Roger e Max Thurian foram convidados a seguir os trabalhos do Concílio Vaticano II como observadores. Aquela experiência deu um estímulo ainda mais profundo de grande compromisso ecumênico que desde o início caracterizava a vida da comunidade. Com João Paulo II, imediatamente se estabeleceu um forte vínculo. No dia 05 de outubro de 1980, durante a peregrinação à França, o papa visita Taizé. São dois os momentos da peregrinação: a visita à Igreja da Reconciliação, e o encontro com os irmãos da comunidade. Com a expressiva participação orante, a Comunidade de Taizé acolheu a eleição de Bento XVI. E em 13 de agosto, exatamente 2 dias antes de ser assassinado, Fráre Roger escreveu uma carta a Bento XVI agradecendo-lhe o convite para participar da Jornada Mundial da Juventude, e assegurando-lhe que a Comunidade de Taizé caminha com Pedro. Dizia-lhe: ?Quando me sentir melhor, gostaria de lhe pedir um encontro em Roma, para vos dizer como a nossa comunidade de Taizé deseja caminhar em comunhão com o santo padre?. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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