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Personagem familiar

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| José Medeiros * Se as pessoas não se contam pelo número e sim pela qualidade, permita-me, leitor, que eu dedique esta crônica a um homem essencialmente bom. O meu tio Toinho (Antonio Medeiros), amigo e companheiro de minha infância, é um escritor de rara sensibilidade e erudição, o que bem demonstra a publicação de seu livro de memórias. Lembro o escritor e um início de inverno. O homem na varanda à espera de que a chuva passe. A escritura do livro de suas viagens. São imagens distantes em minha memória. Eu precisava de uma frase que definisse as mudanças que ocorrem no sertão e no agreste, após as primeiras chuvas, e, ao mesmo tempo, enfocasse o homem que as descreveu. Encontrei, as duas coisas, no texto que reproduzo a seguir. ?Quando, à primeira chuva no sertão, se cobrem de verde as baraúnas e os juazeiros, refaz-se um tempo guardado em suas raízes nodosas. Os galhos despidos que ferem a paisagem logo se vestem de alegria e de cores e reconstituem o fugaz instante que se foi. O escritor, encharcado de emoção, como a folhagem dos juazeiros frondosos, eterniza sua história e a história de seu povo? (W. Porto). O escritor Antonio Medeiros (o tio Toinho, de minha infância) retrata, de maneira quase fotográfica, cenas e paisagens dos idos de 1940, na fazenda Mata Verde, à margem do Rio São Francisco e as viagens que realizou para conhecer boa parte deste País. Conheceu pontos longínquos deste Brasil gigante, numa época em que certas viagens ainda eram uma grande aventura. Como é homem de espírito, adquiriu a inspiração que permitiu ofertar aos seus familiares e amigos, um livro de memórias. Mesmo longe, no sul do País onde viveu, seus olhos sempre estiveram voltados para o torrão natal, acariciado pelos beijos das espumas da artéria fluvial sanfranciscana. Depois de muitas peripécias na vida, voltou à sua terra e à sua gente, aos juncos, juremas e paus-d?arco que o viram crescer, à sombra amiga e sentimental dos velhos cajueiros. Se a vida nos traz experiência, a experiência nos dá a vida. Na escola de suas vivências, não aprendeu a revolta, mesmo quando as atribulações o sacudiam. Essas lições, transformou-as em amor ao próximo e em ações concretas de amizade. Há vários anos, luta contra persistente moléstia. Como bem merece, recebe a dedicação de seus filhos, netos, parentes e amigos. Ele construiu os laços afetivos de seu destino nos andaimes de sua rica e diversificada história. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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