Opinião
Maternar na adolesc�ncia
| JOVÂNIA OLIVEIRA * No Brasil, a possibilidade das adolescentes, entre 15 e 19 anos, terem filhos concentra-se em valores superiores a 100 por 1000 nascidos vivos, sobretudo em alguns estados das regiões Norte e Nordeste. Como parte dos dispositivos legais, relativos à infância e à adolescência, o Ministério da Saúde, no Art. 227 da Constituição de 1988 determina, dentre os deveres da família, do Estado e da sociedade, salvaguardar o adolescente de toda forma de negligência, discriminação, exploração, opressão e violência, assegurando-lhe sobretudo, o direito à vida e à saúde. Portanto, o direito a assistência pré-natal, de modo a prevenir riscos para a adolescente no processo da maternidade deve ser garantido a toda mulher, e aqui em especial a adolescente, uma vez que, nessa fase da vida o ato de maternar está ligado não somente aos aspectos biológicos - envolvendo um momento importante de sua sexualidade, em que, se estabelece um conflito entre a imagem corporal idealizada e a realidade de sua figura física, no decorrer de tais transformações, mas de um modo especial, aos fatores que envolvem a identidade feminina, associada à reprodução e ao prazer, concretizando-se, especificamente, na gravidez. Em minha experiência profissional, na assistência a gestantes adolescentes, tenho focalizado a necessidade de se trabalhar o processo que envolve a maternidade, visto que, o mesmo requer da futura mãe adolescente entrega de si mesma ao novo ser e, de certo modo, renúncia ? se assim podemos dizer da fase da adolescência. Tendo em vista uma mudança de perspectiva, a qual se apresenta em sua realidade, na grande maioria, distoante dos projetos pessoais da adolescente, anteriores a gestação. Pelo ato de maternar advém a vivência da mãe adolescente que perpassa toda uma convivência com seus conflitos, próprios ao adolescer, associados à crise experienciada na gestação, possivelmente resultando em sentimentos que estão expressos em medo de enfrentar a maternidade diante do distanciamento dos amigos e, na maioria das vezes, dos familiares, solidão por não partilhar seus sentimentos e, por conseguinte, conviver com uma situação conflitiva, representada pela transição de mulher em formação, para a de mulher mãe. Diante do exposto, evidencio a necessidade de todos os profissionais de saúde se envolverem de maneira a dar a devida importância que o tema merece de modo a considerar as conseqüências psicossociais que poderão sofrer as mães adolescentes. (*) É enfermeira e professora da Ufal.