Opinião
A �gua � um direito de todos
| CONCEIÇÃO FREIRE * Fiquei preocupada com a matéria da prefeitura de Maceió, que anuncia o interesse de municipalizar o serviço de água da capital, retirando esse serviço da Casal. É preciso chamar a atenção dos nossos políticos, principalmente, do governador do Estado e do prefeito da capital, para as conseqüências que a maioria da população sofreria, se a Casal fosse municipalizada. Não podemos esquecer que, se isso ocorrer, haverá conseqüências muito sérias para os municípios de Alagoas, já que a Casal abastece 77 municípios do Estado. A maioria desses sistemas da Casal são coletivos. Do Agreste, que abastece a oito cidades, da Bacia Leiteira que abastece quinze cidades, do Sertão que abastece sete cidades, da carangueja que abastece três cidades, dentre outros sistemas coletivos. A maioria da população dessas cidades são pessoas de baixa renda, que não podem pagar o preço real da água. São sistemas com mais de 100 quilômetros de extensão, com várias elevatórias, que a fonte propulsora é a energia elétrica, que representa 1/3 das despesas da Casal para manter esses sistemas. A municipalização, especialmente de Maceió, fatalmente inviabilizaria os serviços desses municípios, porque a receita da capital corresponde a aproximadamente 70% da receita total da empresa, que subsidia os outros municípios de Alagoas. Nas capitais onde houve a municipalização e deu certo, as características são diferentes das de Alagoas, pois são locais cortados por rios e mananciais. Esses sistemas estão dentro dos próprios municípios, como ocorre em União dos Palmares e Penedo. Essas cidades possuem características hidrográficas diferentes, na sua maioria não possuem sistemas coletivos. No Nordeste, tudo isso só iria penalizar a população mais carente, sem contar que, a maioria das cidades que municipalizaram os serviços, em seguida privatizaram, e a população é quem paga o ônus dessas privatizações. O que precisa ser feito é uma grande parceria pública, entre a prefeitura de Maceió e a Casal. Discutir, independente de partido político, como serão resolvidos os problemas da água e do saneamento em Alagoas. O governo do Estado deve urgentemente discutir essa parceria com a prefeitura de Maceió e com a AMA, que também precisa se preocupar, pois todos os prefeitos e toda a população dos municípios irão sofrer caso isso venha a acontecer. Não podemos olhar só para o próprio umbigo. (*) É sindicalista.