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Fogo cruzado - Editorial

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Alvo de grande polêmica, o referendo para proibir, ou não, a comercialização de armas de fogo e munição no Brasil entra em clima de contagem regressiva. A pergunta que deverá ser respondida no dia 23 de outubro é a seguinte: ?O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no País?? As duas alas, a do ?sim? e a do ?não?, têm afiado seus argumentos em busca de adeptos para as suas causas. Mas, além de qualquer discurso, a verdade é que um mundo sem armas ? seja nas mãos de bandidos, polícia ou cidadãos comuns ? seria bem melhor. Qual a finalidade de um revólver, fuzil, ou qualquer outro armamento senão a de ser mortal, ferir ou impor medo? As pesquisas que tentam prever o resultado do plebiscito mostram que 72,7% vestem a camisa a favor da proibição, enquanto 24,1% dispararam contra ela. Quando os pesquisadores perguntaram se a proibição iria diminuir a violência, o resultado foi mais equilibrado (50,6% responderam sim, 44,8% responderam não). O debate é interessante, pois a sociedade brasileira vai poder questionar a presença dessa ferramenta tão nefasta no seu cotidiano e entender o papel do poder público nessa questão. A proibição do porte e da comercialização de armas e munição só dará resultados se a polícia for capaz de combater o tráfico e o porte ilegal de armas. Sem esse combate, a lei terminará estimulando o tráfico de armas e munição, ao invés de cumprir com sua intenção. As pesquisas mostram: A população quer um País desarmado, mas para ela acreditar que a medida vai diminuir a violência, o governo terá de ser mais eficiente ao fechar o cerco contra as armas ilegais. No próximo dia 23 de outubro, o voto será a arma democrática, e necessária, ao combate à violência no Brasil. Que emane do povo o poder de decidir pela paz, e que caiba ao governo ser eficaz na sua aplicação.

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