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O PT e a pr�xima segunda-feira

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| Luciano Siqueira * Em qualquer lugar do mundo, numa situação de crise, o bom senso recomenda que um grande partido político, momentaneamente em posição de destaque, jamais se permita dar as costas à sociedade e voltar-se para dentro de si mesmo. Mormente se esse partido se encontra no epicentro dos acontecimentos. Mas é o que ocorre no Brasil, hoje, justamente com o principal partido do governo, o PT, envolto num penoso processo de disputa interna entre as várias tendências organizadas que o compõem, que almejam o controle de seus órgãos dirigentes. É como se uma família muito influente numa comunidade ameaçada por uma situação de calamidade (em parte, provocada por erros de membros seus), ao invés de cumprir o papel de liderança que lhe cabe, preferisse se trancar em casa, dando azo a que seus membros se engalfinhem para decidir quem manda. A comunidade que espere. Ainda bem que o desenlace dessa guerra intestina está marcado para o próximo fim de semana, isso se não houver a necessidade de um segundo turno. Quem sabe a partir daí o PT encontre um padrão mínimo de unidade interna que o credencie à retomada do diálogo construtivo com seus aliados e o torne capaz de superar a fenomenal queda de credibilidade perante a opinião pública. Não parece fácil, a julgar pelas declarações dos principais líderes das muitas tendências que se digladiam ? tão agressivas quanto aparentemente irreconciliáveis. Não será surpresa, inclusive, se, concluída contenda, alguns grupos vierem a optar pela dissidência aberta ou a migração para outras agremiações. Cá de fora, solidários para com o aliado e torcendo para que as coisas corram bem, é impossível deixar de anotar a imaturidade política e ideológica da organização fundada há vinte e cinco anos por setores do movimento sindical, militantes e intelectuais vinculados à Igreja Católica, remanescentes de agrupamentos revolucionários e outros tantos de orientação trotskista. O PT foi capaz de conquistar o governo da Nação, mas revela escassa competência para mantê-lo. Carente de uma proposta estratégica consistente, dependente do prestígio da sua maior liderança, o presidente Lula, e vendo sua quase única bandeira de luta - a defesa da ética na política - em frangalhos, precisa ganhar robustez programática e refazer sua práxis. Oxalá se coloque à altura desse desafio. É o que veremos a partir da próxima segunda-feira. (*) É vice-prefeito da cidade do Recife/PE.

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