Opinião
Severino, Roberto e aeroportos
| Marcos Davi Melo * Enquanto Brasília fervia com a cassação de Roberto Jefferson e a deposição de Severino Cavalcanti da presidência da Câmara, Alagoas entrava em clima de festa com a inauguração do novo aeroporto. Até o momento de finalização deste artigo, propalava-se a presença de Lula, que viria direto da Guatemala para a cerimônia de inauguração. A presença do presidente era factível, pois entre outras razões ele certamente quer demorar o máximo possível para voltar para Brasília. Brasília, onde uma Câmara em ato dos mais irresponsáveis elegeu com 300 votos Severino, um protótipo da figura bizarra de nordestino atrasado. Foi com o apoio do baixo clero sim, mas também com o apoio predominante da oposição que agora o derruba, não sem antes conseguir, com o integral apoio de Severino, um reajuste substancial de seus vencimentos. Cavalcanti foi uma molecagem da Câmara, um desserviço ao País e uma afronta ao nordeste que se viu caricaturado nesse personagem extravagante. Mas os deputados no final saíram no lucro, conseguiram mais um gordo aumento de seus vencimentos. O Congresso Nacional caminha para uma dobradinha alagoana na presidência das duas casas. O senador Renan Calheiros e o deputado José Thomaz Nonô. São nomes que até agora se mantiveram oxigenados, acima do lodaçal que inunda e afoga Brasília. São respeitados também por isso e podem dar contribuições expressivas neste momento de crise, e oxalá redimam definitivamente as chagas que maculam o nosso passado político. Mais uma vez quem os elegeu foi o País, representado pelos parlamentares, e duvido que a mídia nacional vá dizer que existe uma neo-república de Alagoas em Brasília. Aqui enquanto se preparava com estardalhaço a grande festa de inauguração do novo aeroporto, na presunção de que junto com o Centro de Convenções será o tão esperado suporte para o nosso tão sonhado e nunca alcançado desenvolvimento; explodia mais uma crise na saúde, em que mães de crianças acometidas por doenças como adenoidites e amidalites, não conseguiam realizar as cirurgias de seus filhos pelo SUS. Situação crônica que perdura há anos e agora veio a público, dessa vez por uma louvável ação do Ministério Público. Essa situação das crianças que podem ser curadas facilmente com uma cirurgia relativamente simples mostra bem o que é o Brasil hoje; enquanto os parlamentares em Brasília brincam com a eleição de um presidente como Severino, mas aproveitam sua fanfarronice para reajustar os seus vencimentos. (*) É médico.