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Quem tem medo do impeachment

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| CLÁUDIO VIEIRA * Confesso que tenho evitado falar no tema; todavia, sou brasileiro, eleitor, independente e há palavras que não querem calar. Supero, então, o drama existencial do eu-indivíduo e permito o aflorar do eu-cidadão. Malgrado o dia-a-dia na labuta do escritório, das audiências e dos julgamentos, sempre que posso tenho acompanhado, via Internet ou TV, o drama shakespeariano ? seria melhor kafkiano? - vivido pela Nação. Divirto-me com as pantomimas dos atores nas CPIs e nas Casas do Congresso Nacional. Impacientam-me, outras vezes, as tolices de investigados e investigadores, todos cientes da inutilidade das inquirições, pois já há documentos bastantes a trabalho sério de investigação, que parece ser para o político igual a saneamento: ninguém vê, portanto desinteressante. Só não consigo ?vibrar? com a desgraça alheia, apesar de os zés-dirceus bem merecerem a dose do seu próprio remédio. Após as revelações bombásticas do marqueteiro Duda Mendonça, novo round inaugurou-se nesse ringue em que o povo é mero espectador, absoluto extraneus. Com a novidade, alguns atores choram, outros esperneiam, uns poucos acalmam, todos elogiam a coragem do bom baiano, submissos à jogada de marketing do criador da Era Lula, sintetizada na seguinte afirmativa: pratiquei o crime, pois forçado fui. Na verdade, a homenagem deveria ser prestada aos competentes advogados que o orientaram no caminho da coação moral irresistível. Fato é que, querendo ou não se proteger, e ao seu cliente Lula, o marqueteiro fez o impeachment subir as rampas do Palácio do Planalto, sombra perturbadora a rondar a depressão presidencial. As reações de alguns eméritos políticos fazem-me lembrar da conjura de 1992, quando os dirceus, os lulas, os simons, os genoinos, açodadamente, forçavam a CPMI subir ao Palácio presidencial, fosse pela famosa rampa, pelos elevadores ou até por rapel; não importava, desde pusessem o Presidente no centro da crise. Agora, na atual conjuntura, embora a peça seja encenada por muitos dos mesmos atores de então, o comportamento é diferente, a despeito de o presidente Lula ter procurado, com inusitados afinco e fervor, situar-se bem no meio do mar de lama, cuja superfície apenas fora revelada por Jefferson, teimam em contrariar a vontade do soberano. Aliás, o agitado Simon é franco em dizer estar o Congresso desmoralizado e, por isso, impossibilitado de pensar no impeachment, pois seria transformar Lula de réu em vítima. (*) É advogado.

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