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Turismo e cultura

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| Benedito Ramos * Inaugurado no último dia 16, o novo aeroporto, com o centro de convenções, são duas das sete maravilhas que Alagoas aposta para atrair o turista. Este último, sobretudo, é uma promessa de que o turismo de negócios estará em franca expansão. No entanto, com toda esta infra-estrutura, somada aos investimentos dos hotéis e restaurantes, temos procurado enxergar onde a cultura se encaixa neste processo, considerando que suas manifestações populares decoram tão bem a mídia televisiva. E, realmente, se há duas coisas, nos tempos hodiernos que pesam positivamente em favor de qualquer tema é a cultura e a responsabilidade social. E não é moda. É a palavra de ordem. Agora, entre mostrar na mídia e a realidade, existe uma distância de quilômetros. A parceria entre o turismo e a cultura deveria começar com a revisão das rotas do turismo no Estado de Alagoas. Faz mais de duas décadas que Maceió vende água, seja doce ou salgada. E deve continuar vendendo, não está errada. No entanto, este mesmo Estado e este mesmo governo fizeram investimentos no patrimônio cultural, sobretudo em Jaraguá, que às vezes não parece ter sentido. O turista, simplesmente, não anda em Maceió. Serve-se da cidade apenas para dormir e passear na orla no fim da tarde. Mais de uma vez já escrevi que o turista que vem conhecer Jaraguá é aquele que abriu um olho sonolento quando voltou no fim da tarde ardendo do sol e viu as luzes do Palácio do Comércio. No dia 10 deste mês passei um sábado inteiro com meus alunos em Penedo. A cidade hoje é um cartão de visita, seja pelas suas igrejas e monumentos históricos bem cuidados, pelos museus, até pela estrutura de informantes em cada ponto, capacitados para mostrar tudo ao visitante. Isto, sem falar que estrada está ótima. Porém, o turista vai a foz do São Francisco e não vai a Penedo. Por quê? Muito pior é passar pela frente do Museu Théo Brandão e não entrar. Ou será, o ônibus parar em Jaraguá, às vezes na Praça dois Leões, ou em frente ao Palácio do Comércio para tirar uma foto e continuar a viagem? Eu também escrevi certa vez e ratifico: ?O turismo cultural em Alagoas só funcionará pela coerção de uma lei?. Afora isso ou as companhias de turismo receptivo são convidadas a sentar à mesa com o governo e planejarem juntos suas ações ou do contrário, continuaremos vendendo água. Portanto, não adianta mostrar a beleza arquitetônica de nossa urbe antiga, nem nosso símbolo maior do folclore alagoano ? o Guerreiro. Basta mostrar água, mar, sol, lagoa e rios. (*) É crítico de arte.

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