Opinião
O voto dos jovens
| Humberto Martins * Os setores que têm alguma responsabilidade na condução do País precisam concentrar suas atenções em programas que reforcem nos jovens os sentimentos de civismo. Esse tipo de trabalho, desenvolvido principalmente nas escolas, poderá contribuir para que no futuro seja possível às gerações que se sucedem separar o joio do trigo, votar com conhecimento e convicção, escolhendo para os cargos no Executivo e nas casas de representação popular pessoas responsáveis, preparadas e vocacionadas para servir a coletividade. Embaídos por propaganda enganosa, milhões de brasileiros têm votado em candidatos que não correspondem a sua confiança. Recentes estatísticas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, TSE, comprovam a importância do voto dos jovens. Todo brasileiro com mais de 16 anos de idade tem direito a voto e os maiores de 18 são obrigados a votar. No referendo de 23 de outubro, mais de 28 milhões de eleitores entre 16 e 24 anos participarão. São 23% do eleitorado. Somando os jovens entre 18 e 20 (9.690.000) e de 21 a 24 anos (13.780.455) o número salta para 28.075.056 eleitores, 23% do eleitorado nacional. Os de 25 a 34 anos (28.772829) somam 23,5% do eleitorado. Juntos, os eleitores de 16 a 34 anos representam quase metade dos que existem no País, ou 46%. O artigo 14 da Constituição que faz o voto obrigatório para os maiores de 18 anos e facultativo para os menores de 18 e maiores de 70 anos é objeto de discussões entre os estudiosos da vida brasileira. Mas até agora prevalece a tese de que se o voto for tornado facultativo para todos, existe o risco de uma enorme abstenção reduzir drasticamente a legitimidade do processo político. Em Alagoas, segundo números do Tribunal Regional Eleitoral, TRE, existem 1.774.914 eleitores, repartidos entre 5.500 urnas que serão utilizadas nos 102 municípios. No Brasil, são 122 milhões de eleitores em 5.564 municípios. Os programas do TRE/AL, através da Escola Judiciária Eleitoral, integrados por crianças e adolescentes entre 10 a 15 anos, Eleitor do Futuro e Eleitor Jovem, de 16 a 18 anos, buscam conscientizar a juventude da importância de seu comprometimento no aperfeiçoamento da Democracia através do livre exercício do voto, instrumento fundamental da cidadania. A consulta popular de 23 de outubro próximo é, provavelmente, a maior já realizada em qualquer parte do mundo. Que a população vote com consciência e conhecimento de causa, é o que se deve desejar. (*) É desembargador do TJ/AL.