Opinião
Os 50 anos da A.T.A
| ANILDA LEÃO * Embora tenha sido fundada a 12 de outubro de 1955, é desde o primeiro semestre deste ano de 2005 que a nossa ATA ? Associação Teatral das Alagoas ? está comemorando o seu cinqüentenário. Data inédita entre os nossos grupos teatrais amadores, foi no Teatro Deodoro, em 25 de janeiro de 1956, que o grupo estreou, com a montagem de Conflito íntimo, de autoria e sob a direção da sua fundadora e presidente perpétua (em memória), Linda Mascarenhas. Poucas pessoas sabem, mas a Associação Teatral das Alagoas originou-se da ala jovem do Clube de Regatas Brasil, CRB, a pedido dos próprios jovens atletas com vocação artística. Mulher dinâmica e avançada para a sua época, Linda já havia fundado, na década dos 30, juntamente com a dra. Bertha Lutz e a médica ? e primeira deputada alagoana ? dra. Lily Lages, a Federação Alagoana Pelo Progresso Feminino. Entidade que reunia não apenas mulheres intelectuais como também artistas e estudantes, todas unidas no propósito maior da luta pela emancipação e pelos direitos femininos, inclusive o direito ao voto que, na ocasião, só era concedido aos homens. Professora de Português e Inglês em vários colégios da cidade (fui, inclusive, sua aluna no curso ginasial do Colégio São José), Linda Mascarenhas foi a primeira mulher ? dita de família ? a ousar ir contra os tabus e preconceitos e subir ao palco de uma casa de espetáculos em Maceió. E aqui lembramos também outras mulheres que se dedicaram à ribalta e desafiaram a sociedade provinciana local, como Eunice Pontes e Edna Pontes Leite, esta última casada com o grande homem do Teatro Alagoano, Bráulio Leite Jr. Já no ano de 1944, Linda, ao lado de nomes como Aldemar Paiva e Nelson Porto, havia criado o Teatro de Amadores, que funcionou como parte da FAPPF, e em 1953/1954, ao lado de Luiz Gutemberg e outros, o TAM ? Teatro de Amadores de Maceió. Posteriormente, creio que pelos anos sessenta e setenta do século passado, é que vieram juntar-se à ATA os seus ?afilhados? Ronaldo de Andrade, Homero Cavalcante e José Márcio Passos, essa tríade que atualmente comanda os destinos da entidade com muito entusiasmo, sempre enaltecendo o nome da sua fundadora e agora inspiradora perpétua. Parabenizamos essa turma corajosa, que não mede esforços para elevar cada vez mais as artes cênicas das Alagoas, apesar de todas as dificuldades encontradas pelo caminho. E que não deixa que seja esquecida a figura ímpar de Linda Mascarenhas. Que viva a ATA! (*) É escritora, atriz e cantora.