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Quest�es da cultura

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| Eduardo Bomfim * Existe uma evidente perversão, gerada pelas desigualdades regionais. A continuação desse processo econômico conduz ao aprofundamento das imensas disparidades já presentes na atualidade. Na área cultural, a situação não é diferente. Porém, ao longo dos últimos quinze anos, mais ou menos, começou uma inversão, talvez imperceptível para muitos, do fazer cultura, via democratização e inclusão social. E mais recente, como fator determinante de auto-estima, identidade e fronteira principal de uma nação, região ou Estado. Corresponde ao ato de reflexão, consciência, educação, base para transformações. Esse é o conceito estratégico que vai se firmando. Programas estruturais como Patrimônio Vivo de Alagoas, bolsas vitalícias para mestres e mestras que possam repassar as nossas tradições, hoje, através de lei, é realidade. O Sistema Estadual de implantação de Bibliotecas deverá atingir ao fim do ano, 100% dos municípios de Alagoas. O Portal Cultural, aprovado pelo Minc, deverá revitalizar, preservar e difundir a memória de ontem e hoje, através do Misa. Iniciativa fundamental à manutenção da nossa identidade. O programa Alagoas em Cena, de fomento nas artes, com três anos de existência, encontra-se apto a dar um salto de qualidade, através de captação e parceria com organismos federais. Há uma luta sem trégua pela sua viabilização. No Nordeste, berço da brasilidade, a escassez de recursos é enorme. A preservação do acervo arquitetônico, antigo ou contemporâneo, torna imprescindível a mobilização da iniciativa privada ao lado do governo. A ação cultural implica em definições de estratégias conjuntas, já em curso, com a Secretaria de Planejamento do Estado e o apoio do Sebrae. O Centro de Convenções, uma realidade, não será um prédio oco, mas um espaço para debates, pleno de alagoanidade. Arduamente, construímos o novo aeroporto, maiores espaços para o turismo, expansão para a cultura. Os desafios, diante das insuficiências, são enormes. O que impõe um trabalho sistemático ao longo de muitos anos. Apoio, aconselhamento de todos que dominam esta ou aquela seara das múltiplas faces do ofício. Torna-se imprescindível na cultura, o engajamento suprapartidário, afirmando nós mesmos, em contínua tradição e renovação, abraçando as expressões mais férteis desta terra, zelando pelas nossas inteligências. É preciso superar o costume dos círculos, legado pernicioso que nós herdamos de outras épocas. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

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