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Z� Apr�gio – o maratonista

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| José Darlan de Almeida * Dentre inúmeras aptidões, virtudes e qualidades de Zé Aprígio estava a de maratonista. Afinal, segundo Illen Kaer, ?correr uma maratona, não é fazer algo que ninguém pode fazer. É fazer uma coisa que todos podem fazer, mas só poucos fazem?. O Zé Aprígio foi um desses poucos. Graças a sua idéia e seu incentivo de correr a maratona de New York, tive a oportunidade de usufruir também dessa sensação inigualável. Era pouco mais de 5h30, daquela manhã fria de New York, quando nos encontramos (eu, ele, sua querida Themis, mais três amigos comuns e sua irmã Fernanda) para o café da manhã, que antecedia a competição. Enfim, chegou a hora. O prefeito de New York aciona o canhão, dando início a grande largada. Os atletas de ponta partem na frente num ritmo alucinante. Nós e os quase 32 mil corredores iniciamos a largada, caminhando por cerca de cinco minutos em função da quantidade imensa de atletas. Mais adiante, como num passe de mágica, o espaço se abre e iniciamos animadamente a nossa corrida, cheios de alegria e de entusiasmo. Mas o tempo passa e as nossas mentes começam a nos questionar: Pra que isso? Está bom de parar! Não vou conseguir! Mas a vontade é imensa, afinal foram meses de treinamento extenuante. E eis que, no km 32, o nosso herói Zé Aprígio tem a primeira câimbra. Depois vem outra e em seguida uma mais forte faz com que ele pare, gritando de dor. A preocupação toma conta de todos. Zé Aprígio, guerreiro e determinado, não se abateu e pediu (quase como se fosse uma ordem) que continuássemos, pois ele tentaria terminar a prova. E lá fomos nós, preocupados. Terminamos a prova sob forte emoção, todos chorávamos de alegria. Como esquecer logo após a ultrapassagem da linha de chegada o recebimento da medalha colocada no nosso peito, para em seguida beijá-la como se fosse um ente querido? Como esquecer a coberta dourada/prateada que, como um bálsamo, envolveu os nossos corpos? Como esquecer a felicidade de dizer para nós mesmos: consegui completar uma maratona?!!! Mas, passada a euforia, todos os nossos pensamentos se concentraram no Zé Aprígio. Será que ele vai conseguir? Será que ele já está bem? E, eis que, minutos depois de nossa chegada, desponta no Central Park o grande Zé Aprígio, que heroicamente cruza a linha de chegada, ensinando para todos nós, que numa maratona temos de ter sempre em mente que ?a dor é passageira, mas o orgulho é para sempre!? (*) É economista e maratonista.

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