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Opinião

Pedofilia no Parlamento

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| Ronald Mendonça * Na semana passada, véspera do feriado da emancipação política de Alagoas, a Academia Alagoana de Letras, sob a batuta de seu presidente, mestre Ib Gatto Falcão, engalanou-se para o lançamento do livro do escritor Francisco Reinaldo Amorim de Barros, intitulado Abc das Alagoas. Segundo foi dado a conhecer, a obra - de quase 1300 páginas distribuídas em 2 volumes - foi o resultado de 8 anos de pesquisa fuçando os documentos que compõem o acervo da Biblioteca Pública Estadual, Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da própria Academia de Letras e de outras fontes, inclusive pessoas tidas como bem informadas, jornalistas e quejandos. Não fora o atraso para começar, a cerimônia agradaria em cheio, sobretudo pela objetividade dos que falaram. Nesses momentos, nada supera breves palavras. Prestigiada pela presença de inúmeros políticos entre os quais o governador e senadores alagoanos, a presença do ex-presidente e senador José Sarney na tribuna da Academia deu um toque especial de elegância e charme. Enquanto ouvia seu improviso (para um homem como Sarney não existem improvisos, pois ele deve ter uma fala pronta para cada ocasião), rememorava os anos em que o ladino político esteve no comando do País, sobretudo depois do fracasso do Plano Cruzado e dos escândalos envolvendo seu genro e secretário particular, o sinistro Murad. O fato é que naquele momento, falando de si e das coisas boas de Alagoas, o senador parecia um tio velho e bom, que morando longe e tinha vindo nos visitar, trazendo na mala lindas lembranças e na cabeça um monte de boas histórias. Contrastando com esse clima de beatitude, esta semana, o alagoano ficou chocado com as cenas da CPI do mensalão-Correios envolvendo a senadora Heloísa Helena. Está muito claro que essas sessões transmitidas de forma sistemática nem sempre são favoráveis aos inquiridores. Além do aspecto teatral, puramente alegórico, é visível a falta de consistência de boa parte dos que ali estão. Repetitivos, chatos, mentirosos, destemperados, francamente tendenciosos, os nobres deputados e senadores não têm como esconder suas imensas fragilidades humanas e éticas. Foi o caso do deputado Eduardo Valverde, do PT de Roraima, que numa atitude de extrema grosseria acusou a senadora alagoana de ter ?transado? com Luiz Estevão e, por conta disso, votado contra sua cassação. Apontada por Heloísa Helena, a suspeita de pedofilia do deputado Valverde é mais uma pereba ardendo na pele do parlamento brasileiro. (*) É médico e professor da Ufal.

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