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Verde dilapidado - Editorial

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Não é de hoje que o destaque do verde em Maceió fica restrito à bandeira municipal. Na vida real, cotidianamente, o verde sofre o diabo, sendo paulatinamente degradado. Tal a desatenção da cidade para com o verde que a única rua de Maceió que tem vistosas árvores em toda a sua extensão é conhecida pelo povo como ?Rua das Árvores?. A artéria em questão é a centenária Rua Augusta (que já teve outro nome) cujos oitizeiros imponentes fornecem à população as únicas sombras dignas deste nome, a acompanhar continuamente uma rua no centro antigo de Maceió. Até a Avenida Fernandes Lima tem sofrido do ataque sistemático ao verde em sua grande extensão, o que tem resultado num canteiro ?banguela?. Segundo boatos correntes, as árvores faltantes teriam sido eliminadas para ?não atrapalhar? a visão das fachadas de determinados estabelecimentos comerciais naquela artéria. No sofisticado bairro da Ponta Verde já foi detectado o envenenamento de vários coqueiros para ?desimpedir a vista? de determinados imóveis. Nos bairros populares, área verde é sinônimo de areal, ou de depósito de lixo, ou de área descampada e abandonada. Nos mangues (um dos ecossistemas mais ricos e complexos de nosso meio ambiente) a destruição e substituição por aterros é uma marca comum a áreas ocupadas por favelas ou loteamentos de alto luxo. Com tanto descaso, tanta agressão à natureza, Maceió ainda segue bela. Já pensaram se nossa cidade tivesse o benefício de uma mínima atenção ao verde? Se os logradouros maceioenses tivessem um mínimo de cuidado? Aí, nessas condições, teríamos uma cidade maravilhosa, digna da natureza que ainda teima em resistir a todos esses descasos e desatenções.

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