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Opinião

Ajoelhada diante do caixa 2

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| Sérgio Costa * Os governos deverias consultar a sociedade sobre os serviços que ela gostaria de receber. Saúde, ensino fundamental/médio e previdência social seriam os itens mais requisitados. Depois, cobrariam os impostos necessários para atender a essas demandas. No entanto, vivemos um caso de profunda anomalia. Temos uma das maiores cargas tributárias do planeta, os serviços oferecidos são de péssima qualidade e a corrupção anda de rédeas soltas. Não há dúvidas de que esses elementos, além da impunidade, contribuíram para a gênese da sonegação e do Caixa 2. Em todos os aspectos, essa situação é deveras prejudicial. Se os recursos da sonegação saíssem do País, perderíamos poupança interna e, conseqüentemente, reduziríamos o poder de fogo para estimular investimentos públicos e privados. A situação se agravaria ainda mais se eles retornassem sob forma de capital especulativo, a fim de aproveitar os nossos benevolentes juros de 19,5% ao ano. Mas, de todas as conseqüências do Caixa 2, nenhuma é mais nefasta do que quando transformado em ?mensalinhos? e ?mensalões? para comprar representantes das instituições públicas. De fato, desmoralizadas e fragilizadas, elas são incapazes de promover justiça e eliminar os males que acabamos de citar, entre outros não menos danosos. Isso até parece ficção. Mas não é. Eis a mais recente declaração do presidente da Câmara dos Deputados Federais. ?Caixa 2 não justifica cassação de parlamentares?. O que justificaria então, sr. Presidente? Solução não há, leitor, pelo menos enquanto a população não tiver acesso ao estudo da filosofia política, econômica e social já a partir do ensino médio. Claro, sem entender o raciocínio político, o povo jamais será temido pela classe política. Temente ao Senhor, o cobrador de impostos Zaqueu assim fez a defesa de seus pecados: ?Perdão, Senhor! Se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado?. Foi perdoado e jamais reincidiu no erro. Implora o seu fim, pois sabe que com ele o País jamais chegará a lugar algum. Porém, julgados pelo tribunal político da CPI, nossos representantes sequer podem pedir perdão, pois sabem que é impossível não repetir seus erros. E o leitor, saturado de amargar tantas promessas descumpridas, gostaria que os culpados, além de presos, fossem obrigados a devolver o dinheiro subtraído da nação. Mas devo lembrá-lo que na época de Zaqueu o tribunal era extremamente justo. (*) É contador.

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