Opinião
Perigo a p� - Editorial
Novamente, protestos interrompem o trânsito em ruas de Maceió. Infelizmente, isto está se repetindo com tanta freqüência que corre o risco de banalização. Banalizar o drama desses moradores é um desserviço à cidadania. No geral, os caminhantes estão relegados a uma situação de risco em toda a Maceió, até quando buscam a suposta segurança das faixas de pedestre, pois tais áreas ? mesmo quando ostentando uma pintura mais ou menos visível ? quase sempre estão expostas a um sinal verde aberto para os veículos. Aos moradores de áreas periféricas, particularmente, é oferecida uma realidade de altíssimo risco, que começa pela inexistência de calçadas em condição de serem transitadas normalmente. A maioria das calçadas de Maceió mais parece uma pista de obstáculos. A função da calçada é ser passeio público, e, portanto, é área de responsabilidade pública. Como essa responsabilidade não é cumprida, o proprietário do lote urbano faz esse trabalho da forma como lhe dá na telha, resultando numa tal variedade de piso que impede o caminhar normal, forçando o transeunte a se aventurar na pista destinada aos veículos. Além da inexistência dos passeios públicos, as comunidades são cortadas ? sem quaisquer defesas ? por pistas destinadas ao tráfego de maior velocidade. É fatal. E qual a solução adotada para reduzir tal risco? Semáforos para pedestres? Passarelas? Nada disso. A resposta foi ganhar dinheiro com isso, através da instalação de caça-níqueis fotográficos. Indefesa, a comunidade sofre cotidianamente da violência do trânsito. Impotente, a população se lança em protestos que apenas complica mais o trânsito no momento das manifestações. É hora de romper esse círculo vicioso. É necessário acender o sinal verde para iniciativas práticas, inteligentes por parte do poder público em defesa da vida dos pedestres.