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Opinião

Uma batalha decisiva

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| Eduardo Bomfim * A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira representou, sem dúvida alguma, uma batalha de alto significado político e conteúdo histórico. Em jogo, mais que um processo eleitoral ordinário de sucessão, significou um duríssimo confronto entre dois campos que se digladiam ao longo de todo o processo republicano e mais especificamente nestes últimos cinqüenta anos da recente História do Brasil. De um lado, aqueles que defendem e lutam por um Brasil progressista com justiça social e de outro, as forças conservadoras em suas múltiplas variantes. Evidente que os períodos são distintos e carregam em si as suas particularidades, especificidades que os momentos e as contradições apresentavam. A vitória de Aldo Rebelo, candidato do campo de esquerda, democrático e nacional, representante das força alinhadas ao governo Lula, caracterizou uma importante virada nos rumos da ofensiva das oposições e em particular do PSDB e PFL. A contenda entre Aldo Rebelo e José Thomaz Nonô deu-se no patamar do grande embate das idéias e rumos para o País, recuperando para a Câmara dos Deputados a estatura que tinha perdido por um curto tempo da atual legislatura. Essa eleição demarcará sem dúvida alguma, uma nova grandeza nos próximos confrontos políticos, porque o novo presidente da Câmara, pela sua experiência, nível cultural e capacidade de articulação política, reúne as condições fundamentais para imprimir uma agenda legislativa favorável aos caminhos das mudanças imprescindíveis ao País. A postura de quem preside esse poder, implica em compostura de magistrado. Ser o condutor de todos os partidos e parlamentares. Mas a formação ideológica e teórica é matriz da sua linha como militante. Sob o fogo intenso de mais de cem dias de cerco, o campo mudancista obtém um tento considerável. A vitória de Aldo Rebelo, que já acumulou as experiências complexas de líder do governo e Ministro da Articulação Política da Presidência da República, possui outra singularidade de cunho individual e coletivo. Pela primeira vez um comunista preside a Câmara dos Deputados, uma extraordinária conquista para a democracia brasileira. Será o terceiro representante na linha da sucessão presidencial, demonstrando que os comunistas possuem a credibilidade nacional, conseqüência da convicção, amplitude e a clareza das tarefas de levar adiante um projeto nacional soberano e socialmente justo. (*) É advogado e secretário de Estado de Cultura.

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