Opinião
O dilema chin�s
| Jorge Briseno * A China está no auge. Segundo estudos da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento), a China chegará em 2010 como o maior exportador do mundo, ultrapassando os EUA e a Alemanha. Ainda no ano 2005, a China superará o Canadá e a Itália. O crescimento é alucinante. O país, nas últimas duas décadas, cresceu em média 9% ao ano. Livros e artigos são publicados para explicar o dinamismo chinês. Comitivas governamentais com executivos de grupos empresariais do Brasil já viajaram à China para o estabelecimento de vínculos comerciais visando incrementar seus negócios diante da extraordinária oportunidade de uma população economicamente ativa de 750 milhões de pessoas sedentas de consumo. Para se ter uma idéia, nos últimos 5 anos, 200 milhões de chineses foram incorporados à economia. Isto é um Brasil inteiro! Nos dias 13 e 14 de outubro, em São Paulo, ocorrerá uma conferência, patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce e Petrobras, para discutir a China e as suas implicações para o planejamento estratégico das empresas no Brasil diante do fato de produtos chineses estarem se tornando imbatíveis, principalmente em brinquedos, eletroeletrônicos, têxteis e calçados. No entanto, algumas perguntas não se calam. Será que os recursos naturais que a China dispõe suportarão esse crescimento alucinante? Será que a demanda chinesa por energia e água para sustentar o seu crescimento não irá colocar o país diante de um dilema ecológico? Os sinais de exaustão estão no ar. E estão literalmente!!! Nem os guerreiros de Xian, famosas estátuas construídas em terracota, moldadas em argila cozida, há mais de dois mil anos, estão suportando a poluição atmosférica em Pequim, gerada pela queima de combustíveis fósseis na geração de energia em termoelétricas obsoletas e poluidoras. A China caminha para um déficit hídrico. O desvio de água do Rio Amarelo, berço da civilização chinesa, para irrigação e abastecimento das indústrias e cidades, faz com que o mesmo não alcance o mar na maior parte do ano. Tornou-se, um ?silent river? (rio silencioso), denominação ofertada aos rios que não possuem água nas regiões próximas da foz, prejudicando todo o ecosistema dessas áreas. Mais de 400 grandes cidades chinesas sofrem com a escassez de água. Os mananciais subterrâneos estão em exaustão em toda a planície norte da China, responsável por 25% da safra chinesa de grãos. Eu se fosse chinês e mesmo que fosse marxista, começaria a rezar imediatamente. (*) É engenheiro mecânico com especialização em Engenharia Ambiental.