Opinião
Craques e peladas
| Marcos Davi Melo * A eleição para a presidência da Câmara Federal mantendo os costumes da Casa, trouxe com ela as mesmas denúncias de uso da pressão, da liberação de recursos para emendas parlamentares e algumas novas como a ?promessa embutida? na eleição de Rebelo de aliviar no julgamento dos denunciados nas CPIS que ali trafegam. Enfim, a tradição se manteve. Todavia, a eleição que levou Rebelo para a presidência da Câmara, principalmente, em seu segundo turno, quando se defrontou com José Thomaz Nonô, foi um momento superior, que restaurou um pouco do ânimo dos brasileiros e, principalmente, dos alagoanos que puderam acompanhar aquela refrega que se manteve, pelo menos de público, em um nível civilizado, porque ambos se respeitaram, identificaram-se como alagoanos e garantiram se empenhar para assegurar a transparência, a independência e recuperar a imagem da Casa. A eleição de Aldo Rebelo acontece em um momento crucial para o governo Lula, que terá agora algum alento em sua luta para sair da crise. É sintomático que o presidente da Câmara tenha saído do pequeno PC do B e não do PT, partido grande que enquanto pôde fustigou Rebelo, principalmente, quando este estava no Executivo. Aldo Rebelo agora é o fiel depositário de uma das maiores esperanças de Luiz Inácio Lula da Silva e do próprio PT para a sobrevivência do projeto político de ambos, mas a Nação espera que ele seja algo mais: que atue como magistrado, sem tolerâncias com cassáveis, com isenção e independência, que possa ser a liderança equilibrada e imparcial que falta. E, o que escrevemos na Gazeta há quinze dias se confirmou: temos dois alagoanos no comando do Congresso Nacional: Renan Calheiros no senado e na Câmara, embora não tenhamos José Thomaz Nonô, temos Aldo Rebelo, em que pese eleito por São Paulo tem as suas raízes nas Alagoas. É contraditória, paradoxal e incompreensível como a nossa terra consegue, continuamente, produzir craques para a política nacional e não consegue sair do atraso eterno que a sacode para a rabeira de tudo quanto é indicador social e econômico que se estabeleça no País. Mais do que os brasileiros, os alagoanos anseiam pelo que possam fazer por sua terra os políticos alagoanos. Craques consagrados no jogo político brasileiro são os Ronaldinhos, os Robinhos, os Kakás dos gramados nacionais, mas em gramados alagoanos ainda são jogadas autênticas peladas mais que frustrantes para a nossa torcida. (*) É médico.