Opinião
Isen��o em xeque
| RONALD MENDONÇA * Muitos anos atrás, incomodados com o avanço do comunismo no mundo, a ?reação?, dentre outras invencionices, difundiria a idéia de que ?comunista comia criancinhas?. A coisa foi tão pesada que esse ?ensinamento? era ministrado nas escolas preparatórias de cadetes como verdade axiomática. Essas e outras histórias foram revisitadas na palestra que o escritor Carlito Lima proferiu nessa quarta-feira (28/9) na Academia Alagoana de Medicina. Aliás, Carlito, o duque de Jaraguá, está cada vez melhor. Onipresente nos eventos culturais da terra, batalhador, Carlito é um alagoano que valoriza nossas melhores tradições. Se hoje me fosse dado o poder de premiar duas pessoas importantes para a cultura alagoana, não vacilaria em apontar a figura mítica e imbatível de Ib Gatto Falcão, presidente da Academia Alagoana de Letras, e depois o irrequieto e simpático Carlito, o Velho Capita. Já que estamos falando em alagoanos egrégios, essa semana o País acompanhou a acirrada disputa pela presidência da Câmara Federal entre dois conterrâneos, os deputados José Thomaz Nonô e Aldo Rebelo. Segundo alguns especialistas, o embate seria uma espécie de prévia para o das eleições presidenciais de 2006 entre as forças conservadoras (?a direita atrasada e corrupta, submissa ao capitalismo predador?) e as alas progressistas (?a esquerda incorruptível e altiva que detesta os banqueiros do Itaú e do Bradesco, cujo modelo padrão é justamente o governo socialista de Luiz Inácio Lula da Silva?). Venenos à parte, o fato é que se defrontaram duas pessoas credenciadas para o cargo. José Thomaz, deputado na quinta ou sexta legislatura, atual vice-presidente da Casa, vive, a meu ver, seu melhor momento. Com fama de irônico, mostrou uma surpreendente capacidade aglutinadora. A competência nunca foi posta em dúvida. Se saísse vitorioso poderia sonhar mais alto. O comunista Aldo Rebelo, deputado por São Paulo, também é um vitorioso. Se nos tempos em que se comia criança fosse feita uma consulta popular para indicar o comunista que não apreciava a iguaria, certamente o viçosense seria o escolhido. Com seu jeito manso, Rebelo deu a volta por cima depois de uma desastrada experiência como articulador político. Nesse aspecto sua vitória foi quase uma zebra. Contudo, as boas intenções de que será um presidente de Câmara isento esbarram em duas questões: a primeira é que só foi eleito por conta do aval de verbas do executivo; a segunda é sua condição de testemunha de defesa de Zé Dirceu. (*) É médico e professor da Ufal.