Opinião
Ter�o dos homens
| Dom José Carlos Melo * A Igreja dedica este mês não somente às missões, mas de um modo todo especial, a Nossa Senhora com o título Mãe do Rosário. Em nossos dias, um novo método pastoral vem nos despertando para a ação evangelizadora, não somente aqui em Maceió, mas em todo nosso Brasil. São homens que se reúnem para rezar o terço em comunidade, com novos métodos e grande ardor missionário. A tradição histórica do terço para todos os fiéis católicos é oriunda da Idade Média, quando, por costume os vassalos ofereciam aos seus soberanos coroas de flores em sinal de submissão. Os cristãos passaram a adotar esse uso em honra de Maria, oferecendo-lhe a tríplice ?Coroa de Rosas? que lembra sua alegria, suas dores e sua glória pelo fato de participar dos mistérios da vida de Jesus, seu Filho. Logo quando surgiu, essa manifestação Mariana recebeu o nome de ?Santa Maria da Vitória?, por celebrar a libertação dos cristãos dos ataques dos turcos, na vitória naval de 07 de outubro de 1571, em Lepanto, na Grécia. No contexto histórico, neste mesmo dia 07 de outubro, as confrarias do rosário celebravam uma solene procissão, o papa Pio V atribuiu a vitória a ?Maria Auxílio dos Cristãos? e em 1572 fez celebrar nesse dia a referida festa. No nosso Brasil, a devoção ao santo rosário foi trazida pelos missionários e logo se espalhou; principalmente entre os escravos que nele encontraram as orações mais simples e populares: O Pai-Nosso e a Ave-Maria. Eles usavam o rosário pendurado ao pescoço e depois dos trabalhos do dia reuniam-se em torno de um ?tirador de reza? e ouvia-se então, no interior das senzalas, o sussurrar das preces dos cativos. O terço era toda a liturgia dos pobres, dos simples e pequenos, dos que não sabiam ler nem escrever, mas que elevavam sua alma na contemplação dos mistérios da vida de Maria e de seu Divino Filho. Sobre o valor teológico do rosário, o celebre teólogo Schillebeeckx afirmou: ?O rosário é um símbolo de fé sintético e cristológico sob a forma de oração meditativa. O povo de Deus em sua recitação refugia-se no passado, identificando-se com Maria na evolução de sua vida com Cristo?. O terço, a partir da experiência de Maria, é uma oração marcadamente contemplativa. Sua recitação criou no coração dos fiéis um amor especial à Virgem a ponto de o mundo inteiro acolher com amor essa maneira especial de rezar. Sua oração é, em primeiro lugar, uma questão da alma. Sua formulação é oração na medida em que encarnar a intenção meditativa da alma. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.