Opinião
O torcedor
| Luiz Barroso Filho * Na linguagem do futebol, a expressão ?torcedor doente? é sinônima de indivíduo fanático, capaz de qualquer sacrifício e de cometer desatinos pelo time da sua predileção. Esse sentimento que domina certos torcedores, pode ser traduzido como paixão patológica, conforme demonstra o caso grave que envolveu uma antiga torcedora do CSA. Ela era uma pianista freqüentemente contratada por famílias abastadas de Maceió, para tocar em festas de aniversário e casamento, o que lhe complementava a renda familiar. Além disso, como católica fervorosa, mantinha compromisso com várias igrejas, onde mostrava seu talento musical, acompanhando coros nas celebrações das missas. Sua dedicação ao piano e ao catolicismo só era superada pela paixão que nutria pelo time azul e branco, cores que predominavam na pintura da sua casa e até nas roupas que usava. Certa vez, num jogo contra o CRB, um atleta do CSA, de nome Giraldo, teve a perna direita fraturada, em conseqüência de agressão cometida por um jogador regatiano. Indignada, a azulina, a partir daquele dia, passou a portar uma faca-peixeira, com o intuito de matar o jogador da equipe rival, o que para ela seria uma vingança. No entanto, a torcedora faleceu antes de consumar seu desejo. O exemplo revela o comportamento do verdadeiro torcedor doente - pessoa carente de tratamento médico-psiquiátrico - que difere da conduta de muitos integrantes das chamadas torcidas organizadas, que incorrem em crimes contra a pessoa, contra o patrimônio e contra a paz pública, quando promovem atos de vandalismo e embates, inclusive com a polícia, dentro e fora dos estádios, geralmente, sob o efeito de bebidas alcoólicas e de outras drogas. Tais atitudes, típicas de quadrilhas ou bandos, que têm sido motivo de preocupação e causado prejuízos à comunidade, devem ser reprimidas e punidas com penas mais severas do que as previstas na Lei n°10.671 (Estatuto do torcedor). Considerando que o torcedor é o principal responsável pelo sucesso de qualquer modalidade esportiva, a paixão clubista é um fator determinante para a importância do futebol como produto de integração e desenvolvimento social. Por isso, ao invés de fomentar a violência, deve ser canalizada para proporcionar alegria, prazer e incentivo ao clube favorito. Afinal, o autêntico torcedor não depreda; não invade o campo, com o jogo em andamento; não ofende a integridade física do torcedor rival e não participa de torcida organizada que não tenha o mínimo de organização. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.