Opinião
Em plenitude sem�ntica
| Dom Fernando Rodrigues * O verbo ser, também conhecido como de ligação, não se basta a si mesmo, para falar de algo ou de alguém. Não constitui um predicado em si mesmo ou por si mesmo, em contextos, como ?Eu sou aluno?; ?Eu sou professor?; ?Ele é meu pai?; Ele é meu filho?. Está, evidente, claro que o verbo ser não é pleno, semanticamente, falando. Sua significação só se dá por inteiro com o auxilio de um nome com o qual e pelo qual vem a constitui-se o predicado, chamado nominal. Nesses contextos, é o verbo ser classificado pela Gramática Tradicional - verbo de ligação. Assim os verbos de ligação, os porta-tempos da gramática normativa não gozam da plenitude semântica, como os verbos: trabalhar, cantar, amar, estudar, orar que contêm em si mesmos, toda a sua significação, sendo plenos, semanticamente, falando. Os predicados que vêm a constituir são classificados, pela gramática tradicional, de predicado verbal por ser afirmação de um verbo significativo ou nocional. Em se tratando do verbo ser não é habitual chamar a atenção para seu emprego como verbo nocional, significativo, em plenitude semântica. Entretanto, tudo é possível. Pode-se encontrar, na sagrada escritura, contexto especial em que o verbo ser é empregado como verbo significativo, nocional, de significação plena, fechando em si mesmo, intransitivamente. Lá se encontra no Livro do Êxodo (3.13-14): ?Dirás aos filhos de Israel - Eu sou o que sou? e completarás: ?Eu sou me enviou a Vós?. O verbo ser, nessas estruturas frásicas, não está empregado como verbo de ligação, mas como nocional (de significação plena) e em emprego intransitivo (com predicação completa). ?Eu sou aquele que sou?: encontramos nessa estrutura o verbo ser de ligação (Eu sou aquele...), e nocional (que sou). No Apocalipse (16.5), o anjo dirige-se a Deus, em reverência e adoração, dizendo: ?Justo és Tu, que és e que eras?, onde encontramos o verbo ser de ligação (Justo és Tu) e nocional, significativo (que és e que eras). Seguem-se estruturas frásicas em que o verbo ser apresenta-se com significação plena: Romanos (4.17): ?Deus... chama as coisas que não são, como se já fossem?; 1 Coríntios (1.18): ?Deus escolheu... as coisas que não são para reduzir a nada as que são?; Apocalipse (17.11): ?A besta que era e já não é...?. Ao falar de Jesus, afirma São João (1.1-1): ?Ele é aquele que era desde o principio?. Convido aos afeitos à Escritura Sagrada à procura do verbo ser nocional, significativo, de plenitude plena, em referência a Jahvé e a Jesus Cristo, na Escritura Sagrada, mormente os professores de Língua Portuguesa, quando tratarem, nas salas de aula, do verbo ser. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.