Opinião
Cidadania expressa - Editorial
Ao analisar a degenerescência da (que seria a) Via Expressa, a reportagem publicada domingo, pela Gazeta de Alagoas, presta grande papel à cidadania, à cidade e ao Estado. A matéria põe o dedo numa ferida aberta em Alagoas: o desrespeito ao planejamento. Sem planejar, sem acompanhar a aplicação do planejado, sem adaptação do planejado às mudanças operadas, a sociedade não consegue evoluir com acerto. O acontecido com a que seria a Via Expressa comprova como toda uma comunidade sofre, em silêncio, um grande prejuízo. Protestos foram ouvidos apenas quando as conseqüências mais trágicas, como mortes por atropelamento, se manifestaram. Protestos que não devolvem as vidas roubadas, protestos movidos por uma ira santa ? mas incapazes de pleitear a restauração de um projeto, até por desconhecimento público do que teria orientado aquela artéria. Na matéria do domingo, a Gazeta informa o que se pensou para a Via Expressa, esclarece sobre a alta capacidade dos técnicos alagoanos e a alta dispersão dos responsáveis políticos pelo desenvolvimento do planejado. Da história da Via Expressa devemos tirar a lição de que a sociedade precisa estar atenta, cobrar a discussão dos projetos públicos, acompanhar a implantação e desenvolvimento de todos esses projetos. E a continuidade dos mesmos através de mudanças nos nomes e nos partidos responsáveis pela administração pública. Nesses dias está em curso uma obra importante para o trânsito na região central de Maceió: a construção do elevado entre a Avenida Thomaz Espíndola e a Ladeira da (antiga) Rodoviária. Acompanhar, sugerir, cobrar eficiência e continuidade são direitos do cidadão comum e não apenas dos que detêm mandatos. Use seus direitos, confira as obras em sua cidade, critique o que considerar errado, apóie o que considerar certo. Cobre o planejamento.