Opinião
Vontade pol�tica x a��o pol�tico-administrativa
| ROBERTO BASTOS COSTA * O homem tem a característica dos extremos. Na sua natureza, é capaz de atos fabulosos ou por outro lado, de pequenez não encontrada em nenhum outro ser vivo do planeta. O direito ao sonho é outra propriedade inerente. Ninguém deixa de tê-los e de procurar suas concretizações. Às vezes, nos perdemos nos meios pouco ou nunca éticos. O homem público não deixa de ser indivíduo, de ter seus próprios sonhos e de participar de sonhos coletivos de felicidade e bem-estar. Quando assume o cargo público o indivíduo passa viver o sonho comunitário, convivendo com regras, normas, condutas éticas e procedimentos que limitam seus sonhos. Não poderia ser diferente. A conciliação de interesses coletivos, somatórios de sonhos individuais, é o grande mérito, a aplicação da máxima política como a arte de bem-administrar. O atendimento cada vez mais a grupos menores em sacrifício da maioria, privatizando os interesses públicos, resulta na decepção e no fracasso da política como instrumento do bom gerenciamento. Ao assumir cargos eletivos, temporários ou efetivos, o indivíduo começa a conviver com o poder estabelecido, consolidado por anos de corporação, do público como extensão do privado, de falsas e mascaradas democracias ou tecnocracias de ?esquerda? ou de ?direita? em que uma ?enorme maioria? sempre perde para uma verdadeira e poderosa minoria. Os que têm acumulam mais, os que não têm continuam a perder. Com um quadro cultural de perdedor, de baixa auto-estima, de que ?Deus é quem quis?, a ?linha do destino está definida?, dificilmente ao assumir um cargo público, o homem executará todos os seus sonhos ou boa parte deles. O enfrentamento precisa de coragem, criatividade, determinação, paciência, humildade, a quebra de arestas, a fuga de fórmulas mágicas que só beneficiam os próprios mágicos. O conceito de que ?toda ação corresponde a uma reação contrária e de mesma intensidade? não é um axioma verdadeiro para a ciência política. Os exemplos ocorrem todos os dias sacrificando, algumas vezes, pessoas honestas e bem- intencionadas. Não é difícil encontrar pessoas e propostas que se perderam no tempo por não atenderem interesses do verdadeiro poder político, econômico e financeiro no decorrer da história política deste e de outros países. Bons projetos perdidos por dureza, burrice, indiferença, mesquinhez de elites que não conseguem ver além do seu próprio umbigo trazendo como conseqüência a violência, a fome, o caos social. (*) É economista e diretor do Instituto Silvio Vianna.