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Taipa ancestral nas Alagoas do Sul

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| BENEDITO RAMOS * Neste último sábado, dia primeiro, visitei Marechal Deodoro com meus alunos. A cidade sempre consegue surpreender-me. Agora, não mais pelo abandono do conjunto arquitetônico: Igreja de Santa Maria Madalena, Convento e Capela da Ordem Terceira, assim como tantas outras igrejas, de frontispícios igualmente belos. A velha Alagoas poderia ser um dos melhores cartões-postais para atrair o visitante se o turismo cultural estivesse na prioridade pública. Sobretudo, se a administração dos bens culturais tivesse um dono. A casa do Marechal Deodoro é de uma pobreza franciscana. Com uma restauração apressada que não se preocupou em fazer prospecção das divisões da residência, repartiu o ambiente em dois vãos que hoje exibem um acervo tímido, que decepciona até aluno do ensino fundamental. O Museu de Arte Sacra é até um oásis dentro do caos. Com um atendimento simpático, o espaço é igualmente simples onde nunca mais se fez investimento algum, fora o de instalação. A catalogação é precária. A contextualização das peças carece de revisão e algumas nem existem. Um exemplo é a imagem de Senhor dos Passos - de vestir, que não mantém uma única gota de sangue no corpo, nem foi açoitado, para assim ser denominado. Bem, mas tudo isso é irrelevante, perto de se manter o Museu aberto e ainda receber reclamação de quem não deseja contribuir com 2 reais para entrar. Quantia menor do que o preço de meio expediente em um estacionamento do Centro de Maceió. Mas, realmente o que mais me deixou surpreso, como disse no início deste texto, foi encontrar, ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, uma casa de taipa, possivelmente, mais antiga que o templo. O leitor que me perdoe essa minha afirmação, assim, talvez irresponsável, considerando que deveria ser precedida de uma pesquisa acurada, por uma autoridade no ramo, não eu - o Ramos. Mas eu arrisco dizer que quando a igreja foi construída, e ela data de 1783, possivelmente, aquela casa já existia. Sobretudo, pelo fato da capela lateral se colocar quase em cima de sua fachada, onde hoje uma rua serpenteia para uma ladeira atrás da Igreja, deixando a calçada pela metade. É incrível que mesmo com o madeirame e o telhado novos, outra cor das paredes, tanto externas como internas, a taipa se conserve intacta. No entanto, são as janelas, com molduras de madeira, nos seus traçados, ao gosto colonial, ligeiramente arqueadas, que denunciam sua ancestralidade. (*) É artista plástico. (beneditora@hotmail).

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