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Opinião

Vencedores e derrotados

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| RUYTER BARCELOS * A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados evidenciou, mais uma vez, que nem sempre quem ganha é o vencedor. Muitas vezes, quem perde em verdade ganha. Muitas são as denúncias de fisiologismo do Executivo com a promessa de liberação de verbas para emendas de parlamentares e distribuição de cargos, a fim de cooptar votos para o candidato da situação. Considerando que é elevada a probabilidade de ser verdade, o agir político ratifica a opinião de que o bem comum não é o objetivo dos que governam, que os partidos políticos representam seus interesses, o Estado é uma forma de se perpetuar no poder e instrumento da consecução de objetivos pessoais. Assim, o Executivo se julga vencedor, mas se esquece que, no afã imediatista da preservação política, perdeu grande oportunidade de ser ético, imparcial e, de certa forma, depreciou seu candidato. A Câmara dos Deputados venceu, pois pode recuperar sua função legislativa ao renascer a oposição. Não há democracia sem oposição, sem a convivência dos opostos, sem o debate das idéias, sem a construção que a síntese proporciona. A oposição tem papel fundamental no aperfeiçoamento democrático enquanto provocativa, fiscalizadora e questionadora. Aquela casa deve representar a efervescência da discussão da vontade dos eleitores e recuperar sua credibilidade é vital para o cidadão brasileiro. Neste contexto se insere a disputa pela presidência, pois os deputados José Thomaz Nonô e Aldo Rebelo reúnem as condições desejadas para a tarefa. Não se trata de saber quem é o melhor ou o mais adequado, a biografia de cada um permite a afirmação acima. O palácio do Planalto considera que o eleito será útil aos seus interesses, dificultando a tramitação de um indesejado processo de impeachment. Entretanto, é lícito inferir que a elevada estatura moral de Aldo Rebelo, sua coerente vida política e postura ética, bem como a militância em um partido de esquerda até agora imune à conduta espúria, não permitirão que assim proceda. Seria negar toda uma vida, todos seus princípios, valores e crenças. Não se pode deixar de reconhecer a vitória do PC do B, um partido sem grande expressão numérica, mas de forte presença na História do Brasil. A trajetória pode ser definida em uma frase: ?da guerrilha do Araguaia à presidência da Câmara dos Deputados?. Derrotado nas armas, soube encontrar o caminho do poder pela via pacífica do voto, pelo debate das idéias. Esta é a democracia brasileira. (*) É empresário.

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