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Opinião

Protocolo familiar

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| Marcio de Vasconcellos * Para ousar escrever sobre empresa familiar e seus conflitos dentro de um panorama de questionamento em que vivem aquelas que formam o grupo da agroindústria em nosso País, é preciso destacá-las no cenário econômico mundial. Essas empresas respondem por 80% do PIB das sociedades desenvolvidas e emergentes do mundo. Segundo uma reportagem publicada na revista Exame sobre o maior usineiro do Brasil, a agroindústria nacional somaria atualmente 350 unidades controladas por 250 grupos mas estaria reduzida a apenas 20 até 2015. Creio ser um prognóstico exagerado. Entretanto, pelo andar da carruagem no mundo, quando se trata de fusão de indústrias no regime de economia de escala, globalização e mercado, é bom ficar com as barbas de molho. Basta acompanhar o que vem acontecendo com as cervejarias. Mas, nosso assunto é empresa familiar, gestão e propriedade. Não é de hoje que se comenta que a família cresce em progressão geométrica, num efeito multiplicador. Já as empresas, geralmente crescem em progressão aritmética; em alguns casos, patinam; e em outros, desaparecem. Na Europa, há empresas familiares que estão em sua 11ª geração. No entanto, no geral, a maioria não passa da terceira. Nosso País está enquadrado nesta última posição. O maior usineiro do País passou pelo processo da crise familiar. Chegou à justiça. Administrou o problema. Associou-se aos franceses e hoje é destaque em gestão. O que acontece com as nossas agroindústrias, quase todas oriundas de tradicionais famílias, e que hoje se encontram na segunda e na terceira geração, a maioria em conflito? No quadro de gestão, não existe lugar para todos os herdeiros, pois eles se multiplicaram. Os resultados financeiros nem sempre são positivos. A atividade econômica ao longo dos anos foi deficitária. E a maior prova é a quantidade de usinas que fechou. No quadro acionário, os que participam da gestão são remunerados pela atividade profissional, indicados pelos arranjos e beneficiados pelo poder. Aos preteridos não resta a expectativa de participar nem de resultados nem da liquidez nas ações. Para as usinas que permanecem em atividade, como está o tamanho do cobertor? Se cobrimos a cabeça, descobrimos os pés e vice-versa. A cana-de-açúcar é fundamental e a indústria é acessório. Que Alagoas comece a pensar em fusões, pois o centro-sul já sinalizou e o exemplo vem dos nossos industriais que já habitam o futuro. O litoral norte já deu partida e realizou a primeira fusão. (*) É engenheiro e empresário.

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