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L�quidos interesses - Editorial

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Encerrada a greve de fome de dom Luiz Flávio Cappio, começaram as dúvidas sobre o que foi mesmo combinado entre o bispo e o presidente. Pelo sim, pelo não, o religioso avisou que retomará o jejum ?caso considere que a negociação está sendo descumprida?. Para dom Cappio, ?o governo se comprometeu a suspender o início das obras de transposição durante o período em que o projeto voltar a ser discutido no País?. Jacques Wagner, ministro especialmente credenciado por Lula para negociar uma saída, saiu pela tangente e não confirmou a versão do bispo. Desde que este projeto foi formatado, nos laboratórios do governo Fernando Henrique Cardoso, o propósito é claro: aproveitando-se do sonho de uma grande massa de nordestinos sedentos e da ganância esperta de alguns privilegiados, foi montado um negócio faraônico, de tais dimensões que poderá enriquecer ainda mais vários potentados e encharcar de votos os açudes eleitorais de outros tantos. Os resultados, temerários, da empreitada só manifestarão sua real fisionomia depois de um bom tempo e aí, como choraram os portugueses, ?Inês é morta?. Nesse projeto fundem-se, como se fossem um só grupo, estrelas do governo atual e aves emplumadas do governo passado. Para se ter uma idéia precisa, o ministro do governo FHC que elaborou a atual proposta de transposição, Fernando Bezerra (PTB/RN), é hoje o líder do governo Lula no Senado. Não restam dúvidas acerca do oportunismo político, superficialidade técnica e indigência científica desse projeto, em cuja defesa se argüi ? com a maior desfaçatez ? o argumento pseudocientífico de que a transposição usaria ?cerca de 1% da água que o Rio São Francisco despeja no mar?. Tal falácia ignora o conceito de ecossistema e desconhece o paulatino avanço do mar nas terras da foz (mesmo com os atuais ?100%?) que já fez sumir os povoados de Pixaim, em Sergipe, e Pontal da Barra, em Alagoas.

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