loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A d�vida de Lula

Ouvir
Compartilhar

| Ronaldo Lessa * Quando questionei o presidente Lula, durante a solenidade de inauguração do novo Aeroporto Zumbi dos Palmares, sobre a cobrança extorsiva de uma dívida pública que se revela impagável para Alagoas, estava naquele momento reiterando posições externadas em outras ocasiões. Ainda no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso eu reivindiquei uma mudança de tratamento da União com seus entes federados. Cultivo o convencimento de que não é possível corrigir distorções regionais sem que haja modificação de tratamento entre estados desiguais. No calor do agradecimento ao presidente pelo investimento aeroportuário, através da Infraero, tratei desse abacaxi que tanto atormenta o equilíbrio fiscal que o nosso governo vem perseguindo nos últimos tempos. Lamentavelmente, a reação do presidente não foi positiva naquele momento. Poderia ser diferente, até pela sua origem. Não bastava lembrar o fato de que os governadores do passado avalizaram as condições contratuais impostas para rolagem das dívidas dos estados. Era preciso apontar um novo caminho. Ora, votei no Lula para construir um País mais justo, que acabe por exemplo com as históricas iniqüidades que ferem o pacto federativo. Os dados demonstram a injustiça cometida contra Alagoas, já que o Estado vem fazendo o ajuste social e mantendo o equilíbrio das contas. Quando assumi o Executivo, em janeiro de 1999, encontrei a Secretaria da Fazenda sufocada na maior dívida pública proporcional entre as demais unidades da Federação. Naquela ocasião, o passivo alcançava R$ 2,3 bilhões, incluindo a famosa operação das Letras do Tesouro. Pois bem, encontrei uma rolagem feita na base de 7,5% ao ano, mais correção monetária pelo IGP-DI. Após quase sete anos de gestão e cerca de oitocentas obras já realizadas nosso governo acrescentou apenas R$ 11 milhões ao total da dívida. Esse valor contratado refere-se às obras de saneamento da cidade de Maragogi, através do Prodetur. É revoltante constatar que o passivo de Alagoas atinge hoje a surpreendente cifra de R$ 5,5 bilhões! E ainda estamos transferindo mensalmente 22% da nossa receita líquida para fazer face ao serviço desse contrato cobrado pelo Tesouro Nacional. Esse tratamento fomenta as desigualdades e não é justo. Alagoas vem fazendo sua parte e construindo com muito esforço as condições para o desenvolvimento. Se nessas condições sufocantes conseguimos reduzir o analfabetismo, a mortalidade infantil e avançar em diversas obras estruturantes, avalie se Brasília repactuasse a Federação. (*) É governador de Alagoas.

Relacionadas