Opinião
Pescando bom senso - Editorial
Bom seria se as autoridades competentes atentassem para o alerta feito na primeira página da Gazeta de Alagoas em nossa edição de domingo. Atenção ainda mais requerida quando se discutem proposições de alta periculosidade como a ?transposição? do Rio São Francisco. Já deveríamos, há muito, ter aprendido a lição de que não se tripudia sobre a natureza. Os resultados decorrentes de tal temeridade são catastróficos. A pescaria de camarão, em águas alagoanas, nas proximidades da foz do Rio São Francisco, está, escandalosamente, passando dos limites da exploração de risco. A reportagem da Gazeta é precisa e esclarecedora. É enorme o volume de crustáceo capturada na região, e ? um agravante ? a forma de captura apresenta todas as evidências de que a vida marinha é seriamente afetada na área por ande passam as redes de arrasto (ou rede de ?porta?). E sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização? A mesma reportagem aponta falhas e opiniões críticas por parte de pescadores e de biólogos. Sem respostas convincentes por parte dos órgãos fiscalizadores e com as evidências do caráter predatório da pesca ali realizada, paira sobre as consciências mais uma sombra de estupidez econômica, que até já foi tema dos clássicos (como no caso da fábula da ?Galinha dos Ovos de Ouro?): a sofreguidão, a ambição, termina causando a morte da fonte de riqueza. Do Pontal do Peba vem a indelével impressão que se está sacrificando o potencial de riqueza e opção de sobrevivência de toda uma população. A ganância com a qual se está explorando o camarão do Peba poderá levar à exaustão e ao desequilíbrio ecológico na área ? e daí por diante serão apenas prejuízos decorrentes do sacrifício da galinha dos ovos de ouro do local: os generosos bancos de camarão.