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M�scaras e disfarces

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| Dom Fernando Rodrigues * Necessário se faz desprogramarmos os disfarces e desfazermos as ambigüidades. Para tanto, tentei viajar: procurei a preguiça e encontrei-a acomodada sobre os travesseiros da ilusão; procurei segurar o orgulho, mas divisei-o perdido nas artimanhas de sua suposta grandeza; procurei descobrir a inveja, mas ela lá se encontrava envolta na fantasia de suas mentiras. Pode-se que venho tentando pegar o touro pelos chifres, entretanto ele me foge das mãos, como a água se esvai dos meus dedos. A propósito, já é hora de se desfazerem os disfarces, de se aposentarem as máscaras mofadas de cada coisa para que o ser humano se apresente inteiro, como é. Ser livre, sem máscaras, sem disfarces é sair de si mesmo e apresentar-se nas varandas do seu eu, respirando feliz. O importante é desmascarar os nossos disfarces para nos reinventar, porque não somos um programa, senão uma reinvenção. Somos bem maiores que nosso diminuto segredo individual que vive preguiçosa, orgulhosa e hermeticamente fechado lá, no recôndito do nosso ser. O mundo exige total transparência, reclamando que nos desfaçamos do véu da mentira para cada qual mostrar o que é, o que de positivo possui. O importante é respirar esperança na força que vive dentro de nós, esperando explodir, procurando revelar a intensa razão de viver. Quem sonha, após sonhar, procura viver na esperança de que se realize o sonho. Feliz é sonhar na espera de um momento que não sabemos qual será, mas que ostenta o valor da 25ª hora, para além da 24ª. É a primeira hora antes da primeira e a última após a ultima. Trata-se da hora especial de cada semblante, de cada rosto, sem máscara, sem disfarce algum. É o momento de fixar o nosso olhar em nosso semblante e proferir um sim responsável a nossa postura. Então, saímos da sombra onde a máscara e o disfarce nos colocaram para assumir a vida, livremente, cantando, como um rio correndo no seu leito, sobre o pentagrama das pedras. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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