Opinião
Adolesc�ncia amea�ada
| Jovânia Marques Silva * Ao ler a matéria Droga injetável vira febre nas ?baladas? de Maceió, no jornal Gazeta de Alagoas do dia 28 de agosto de 2005, evidenciando o uso do medicamento potenay (para animais) sendo utilizado por jovens, confrontei-me com algo que me chocou e, por conseguinte, causou-me grande preocupação em saber que o referido medicamento pode ser adquirido sem receita - tornando-se, desse modo, uma ameaça, principalmente para os adolescentes. Como se trata de um medicamento que pode prejudicar a integridade do ser humano - em especial dos jovens e adolescentes, em sua conduta social, familiar e, sobretudo, em sua condição de saúde, enquanto uma droga - causando efeitos colaterais relacionados também ao seu uso indiscriminado. Revelado por seus usuários como ?a droga do vigor?, estes (dentre eles os adolescentes) iludem-se ao depositarem e investirem na prática como usuários, não medindo as conseqüências que poderão sofrer, nem tampouco a ameaça que esse representa a sua saúde, integridade física, mental e social. É de grande urgência a atenção que deve ser dispensada aos adolescentes em seu convívio social, de modo que, nós os cidadãos estejamos atentos a tudo quanto venha representar ameaça ao seu desenvolvimento em sua cidadania. Enquanto profissional de saúde e aprendido os malefícios que o medicamento pode causar aos órgãos afetados, preocupo-me ainda com os problemas que podem surgir para o adolescente, envolvendo sua auto-estima e convívio social. A referida matéria, ainda, evidencia que as mulheres também são usuárias do potenay e estão sujeitas a perda da libido e da fertilidade, esse medicamento pode causar transtorno emocional à mulher. Portanto, como conseqüência estarão potencialmente ameaçadas a interromper uma etapa de seu ciclo vital e a vida que tem direito enquanto ser social. Em minha experiência no trabalho com gestantes adolescentes, tenho apontado para um cuidado, direcionado não só para a consulta de Enfermagem, que está preconizado pelo Ministério da Saúde, que além de discorrer sobre temas relativos a cuidados específicos na gestação, também evidencio o uso de medicamentos e drogas e a atenção redobrada que os responsáveis pelas adolescentes devem ter com as mesmas, no convívio familiar e social. Desse modo, nós cidadãos e profissionais da saúde necessitamos dirigir nosso olhar atento aos adolescentes, de modo a buscar meios que possam ajudá-los a compreender que determinadas atitudes são nocivas ao seu convívio social. (*) É enfermeira e professora da Ufal.