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Alma ind�gena!

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| GILBERTO DE MACEDO * A inspiração do presente, despertando idéias adormecidas, chega-nos pela imagem representada pela personagem da indígena, que nos apresenta a novela Alma gêmea. Mostra-nos a grandeza de beleza humana da índia Serena, que chega ao povoado civilizado. Beleza que está na forma do rosto e, sobretudo, na inocência da alma. Pois a alma está assim delineada: sentimentos puros e sublimes, que, sem quaisquer vislumbres de maldade, estão totalmente devotados ao amor, ao bem, à fraternidade e à solidariedade. E que se manifesta com inteira sinceridade e lealdade. Dessa maneira, atende plenamente à lição do poeta Dante: ?A alma daquela mãe que à vida a deita ... /emerge ingênua e simples, ignorante, / de tudo em torno, salvo do pendor / que leva a se expandir.? E que Shakespeare, de tão longe, completava, com toda sua grandeza lírica: ?... essa alma iletrada e ignorante.? Iletrada, enquanto simbólica de sua cultura nativa e ignorante da realidade perversa trazida pelo homem dito letrado. Essa alma indígena tão casta e cândida, absolutamente contrária da que se constata naquela personagem interesseira, pérfida e egoísta modelada pela legenda civilizada. E tanto que o notável Gerard de Merval, tão bem recitava: ?As almas são as idéias de Deus.? Disse tudo. Porque na alma é a bondade completa, o altruísmo íntegro, isento de qualquer ambição. Alma que, por isso mesmo, revela a essência da condição humana em sua originalidade sem mácula. Quem não a possui nessa inteireza, eis que nega tal atributo de natureza e de procedência social, que lhe dão os matizes identificadores. Assim, outro grande poeta, Emily Dickinson costumava expressar da seguinte maneira: ?A alma escolhe sua própria sociedade, / E fecha a porta; / Depois com a divina Maioria / Não mais se importa ...? É que vive envolta de benevolência e lisura, sem manchas de perversão e hipocrisia. Feita de simplicidade e coragem. Assim, é essa alma indígena que, por suas qualidades, gera a paixão eterna. Diz da dignidade em seu autentico significado, da grandeza pessoal na perfeição da imagem. Admirável alma indígena!... Tomemo-la como exemplo da dignidade humana, onde o amor se representa em toda sua sublimidade. É a pureza na condição humana. (*) É médico.

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