Opinião
Mapa - base do cadastro multifinalit�rio
| ANDRÉ W. CARNEIRO * Notícias ? e que tristes notícias! ? de mensalão, propinas e desvios de recursos públicos proliferam-se nos meios de comunicação. Em discursos inflamados, locutores ? sejam sinceros ou demagogos, plebeus ou do alto clero ? citam expressões tais como: ética, princípios, transparência, participação social... Eu, particularmente, gosto muito da transparência. Os dicionários definem transparência como qualidade ou condição do que é transparente, do que não é ambíguo. Em ambíguo temos: que desperta dúvida, incerteza; vago, obscuro, indefinido. Diante desses conceitos, só poderemos falar em transparência se possuirmos informações fidedignas. No artigo de hoje, mantendo o propósito de evidenciar a importância do planejamento estratégico da informação, começaremos a discussão dos principais cadastros de dados/informações existentes. Todos os fatos que geram informações ocorrem em algum local que precisa ser identificado, ficando claro então que é essa a primeira informação/dado a ser cadastrada. Estou falando em mapas, cartografia, geoprocessamento, imagens de satélites. É no Mapa que demarcamos as fazendas, as cidades ? o que implica pensar bairros, logradouros, loteamentos, quadras, praças, imóveis... ?, de rodovias/ferrovias/hidrovias, ou seja, estamos falando em localização/endereço e de suas características físicas como topografia e pedologia. Vamos analisar os seguintes fatos, entre tantos, noticiados na mídia alagoana: técnicos municipais de Maceió e Rio Largo apresentam mapas ?provando? que o novo Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares está localizado no ?seu? município; empresa de água, quando da realização de um serviço, perfura a tubulação de gás ? por sorte uma tragédia maior não ocorreu; fazendas que só existem no papel são usadas como garantia para levantar financiamentos em bancos e até para pagamento de dívidas com o governo. Não podemos ter dados ambíguos. Não adianta a empresa de água conhecer suas tubulações, mas não conhecer as da empresa de gás. Deste modo, o mapa com todas as tubulações tem que ser único e disponível a todos, multifinalitário. Não podemos escriturar fazendas ou informar o endereço de empresas sem localizá-los no mapa. Mostrei a necessidade de termos a transparência das informações referentes ao meio físico em que vivemos. Nos próximos artigos, analisarei a relevância daqueles que interagem com o mapa: pessoas e empresas. (*) É analista de sistemas de informação ([email protected]).